Março 2015 - Nº 101 - I Série - Santarém - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Santarém
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Olalhas

Jorge Filipe Martinho Rosa

 

 

J.A. – Qual a sua opinião sobre a situação política atual?
P.J.-
A minha opinião sobre a política atual é a falta de credibilidade nos políticos que provoca uma desmotivação e desinteresse pela população em geral e sobretudo pelas camadas mais jovens.
J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-A economia Portuguesa está longe de estar saudável. É prematuro alargar os cordões à bolsa. As medidas apresentadas, a meu ver, são enganadoras, brevemente para estabilizar a divida pública, veremos a necessidade de as repor mas mais gravosas ainda. E como sempre será do contribuinte mais pobre que fará mais esforço. Mas em contrapartida, vemos os políticos que continuam a esbanjar, veja-se por exemplo, um gabinete de ministro gasta cerca de 50.000€ mensal, valor muito acima do que a freguesia de Olalhas, com 34.07km2 recebe do estado anualmente para gerir toda a sua área.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carênciae conómica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-O aumento do desemprego deve-se á crise na construção civil, a Freguesia de Olalhas sempre teve este sector como atividade principal, esta situação levou a que a maior parte das pessoas de idade adulta imigrou, levando consigo o agregado familiar. A Freguesia tem apoiado todo o tipo de iniciativa, com vista a poder fixar alguns casais no território, contudo dado a nossa localização geográfica, longe das vias rodoviárias, torna-se difícil a geração qualquer tipo de negócio. A Freguesia é rodeada pelo rio Zêzere o que nos dá uma riqueza paisagística única. Nesse sentido, tenho-me desdobrado em diligências para explorar essa vertente. É muito complicado, mas não perdi a esperança e estou convicto que o nosso projeto será uma realidade. Só com esse desenvolvimento turístico a Freguesia poderá ser projetada noutra dimensão e aí as atividades económicas inerentes terão outra dinâmica.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-A violência doméstica começa pela falta de respeito entre seres humanos, contudo a falta de condições financeiras influencia o comportamento de algumas pessoas que, refugiando-se no álcool, perdem o controlo. Na minha opinião o factor económico foi o que mais influencia o aumento do índice de violência doméstica.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Os jovens e os mais carenciados, pela falta de experiencia e recomendações profissionais, empregavam-se nas empresas de construção civil. Ora estas empresas pela falta de trabalho e pelas obrigações fiscais pesadas, faliram. Através de familiares e ou conhecimentos no estrangeiro, viram na emigração a escapatória á pobreza, sentiram que seria a única forma de conseguirem trabalho e por conseguinte uma vida condigna.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.-Sobre esta matéria não me quero prenunciar, talvez os estados membros saibam.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-A autarquia presta apoios das varias formas, através da IPSS (Centro de Assistência Social CASO que serve toda a população necessitada de cuidados), com acedência do edifício de apoio provisório onde funciona a cozinha, a lavandaria e sala de eventos, contribui-se com um subsídio anual de 5.000€ para encargos com energia elétrica e das mais diversas formas nos eventos desenvolvidos durante o ano por aquela instituição. Diretamente à população ainda autónoma, após várias investidas, conseguimos implementar aqui um terminal de multibanco que possibilita as pessoas de fazer os pagamentos e um posto de correios que permite aos reformados de levantar aqui as suas reformas. Patrocinamos, desde à muito, ginástica sénior no edifício da Junta. Organizamos todos os anos um passeio sénior, o que para alguns, é a única forma de passearem anualmente. E sempre que confrontados com alguma carência pontual, agimos de acordo com cada situação.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-A Freguesia é muito rica historicamente o que se pode verificar pela arquitectura sacra. Tem cerca de 34 km2 e o território é bastante acidentado é povoado por floresta como o eucalipto e o pinheiro; as principais atividades são a floresta, a agricultura, e a pecuária; Pela nossa localização, é difícil atrair investidores e fixar indústrias. Cerca de 50% da nossa área é banhada pelo rio Zêzere; Resumindo, estas características o que tornam a tarefa de um Presidente de Freguesia muito difícil. Contudo, na época de verão, com a barragem do castelo do bode e pelas tradicionais festas que as associações dos 10 lugares que compõem a Freguesia levam a cabo, somos muito atrativos nesta época.

Um dos maiores problemas é localização geográfica que leva à falta de investimentos e a criação de emprego o que origina a desertificação e por conseguinte a falta de crianças.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-A falta de visão das entidades competentes de aposta ao investimento no turismo, que creio que seria relevante não só para a freguesia mas para todo o concelho. Depois está o aceso viário ao coração da Freguesia.

J.A.-Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Apesar da conjuntura atual, as prespectivas são positivas já que temos um plano e apesar de haver entraves constantes, não irei permitir o desaproveitamento da envolvente natural da Freguesia de Olalhas.
J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Situação financeira é responsável, os gastos são feitos em concordância com as receitas.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-Os apoios CMT são insuficientes para a dimensão da freguesia com 34,07Km2. Temos agora também uns protocolos que atribuem mais responsabilidades às Freguesias, contudo as verbas atribuídas são inferiores ao passado.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-A população quando solicitada comparticipa nalguns melhoramentos dentro das suas possibilidades.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-É uma mensagem de confiança no seu presidente, enquanto estiver a conduzir os destinos da Freguesia continuarei a empenar-me no bem-estar tanto dos seus habitantes como dos seus bens, assim como na boa recepção a todos os que nos querem visitar.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Nem sempre é fácil, às vezes deixo as coisas pessoais para segundo plano, também sou confrontado com a minha ausência no seio familiar, contudo, com compreensão tudo se leva a bom porto.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Que a vossa informação seja esclarecedora e apelativa, para que a população tenha conhecimento que a vida de autarca não é fácil e tenham a percepção das nossas dificuldades.

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