Outubro 2016 - Nº 108 - I Série - Porto - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Porto
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Vilar de Andorinho

Serafim Teixeira

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-O atual cenário político nacional representa uma novidade para todos, com uma configuração parlamentar e de suporte ao Governo nunca antes experimentada. É um novo cenário que vem mostrar a existência de caminhos alternativos. Não só na sua configuração, mas também nas políticas colocadas em prática, com maior preocupação com as famílias e com as questões sociais e sem esquecer a necessidade de estabilidade económica e cumprimento das responsabilidades. A descida da taxa de desemprego é um excelente indicador de que o caminho que tem vindo a ser seguido é virtuoso e de que é possível ambicionar melhores condições de vida para todos.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este Governo em exercício?

P.J.-Em primeiro lugar, são medidas que respeitam e cumprem aquilo que foi assumido com os portugueses e isso é muito importante para restabelecer a confiança no sistema político. Destaco as medidas que têm visado repor direitos e apoios retirados pelo anterior Governo e que permitem às famílias começar a estabilizar a sua vida. Estamos a falar de medidas que ajudam todos aqueles que sentiram os efeitos nefastos do programa de ajustamento.

Por outro lado, é também fundamental reforçar esta aposta na formação e qualificação, não só dos jovens, mas também da população adulta. A aposta no conhecimento é essencial para uma sociedade evoluída.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-O desemprego é um dos maiores flagelos da nossa sociedade moderna e atinge de forma particularmente forte a freguesia de Vilar de Andorinho. Nos últimos 20 anos, a população residente na nossa freguesia quase duplicou e tradicionalmente é composta por famílias da classe média. Quando o desemprego atingiu de forma drástica as famílias portuguesas, os seus efeitos negativos fizeram-se sentir de forma rápida e forte.

Tivemos, por isso, que adaptar o nosso trabalho às necessidades das pessoas, apostando com esforço e dedicação na Ação Social como uma área chave do nosso projeto. Infelizmente, os recursos não abundam e a Junta de Freguesia, por si só, não tem capacidade para dar resposta a todas as necessidades e problemas. Assim, trabalhamos de forma concertada com várias instituições, como a Câmara Municipal de Gaia, a Segurança Social e as associações locais que atuam diretamente no terreno, para conseguir abranger o maior número de pessoas possível e responder de forma mais eficaz às suas dificuldades.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-A violência doméstica, física e emocional, é um crime cobarde e que infelizmente tem vindo a aumentar. Penso que não podemos dissociar o aumento do desemprego e das dificuldades económicas com este aumento. Sendo um ato individual, será certamente influenciado por aquilo que são as condições sociais que rodeiam e afetam o indivíduo.

É importante que este tipo de crimes seja denunciado sem receios e que o apoio às vítimas seja célere e capaz de garantir a sua autonomia e afastamento do agressor ou agressora.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-É uma triste realidade que tem vindo a acentuar-se nos últimos anos. É uma espécie de regresso ao passado, quando milhares de portugueses emigraram à procura de um futuro melhor. A falta de condições dignas de trabalho para os mais jovens provoca um desejo natural de procurar noutro local aquilo que desejamos para a nossa vida.

O problema torna-se ainda mais grave quando se trata da geração mais qualificada de sempre. Com a emigração de jovens qualificados ficamos impedidos de poder contar com o seu contributo para o desenvolvimento de Portugal e vemos outros países aproveitar esse investimento realizado na sua formação.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-Procuramos criar as condições necessárias para que o apoio seja digno e verdadeiramente positivo. Optámos por construir um edifício e implementar um Centro de Dia, Jardim de Infância e Creche. Criámos uma IPSS que tem gerido essas valências, doando-lhes um terreno da Junta de Freguesia que permitiu a candidatura a fundos comunitários e que, recentemente, criou o Serviço de Apoio Domiciliário.

Criámos também uma nova sede para a Academia Sénior e temos apoiado vários projetos, instituições e pessoas através do nosso Gabinete de Ação Social. Depois de um trabalho intenso de muitos anos, conseguimos agora a aprovação da ARS para a construção do novo Centro de Saúde de Vilar de Andorinho, que permitirá que a população sénior tenha melhores cuidados de saúde.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-Vilar de Andorinho é uma Freguesia do concelho de Vila Nova de Gaia, com uma área de cerca 7 Km2 e 31 000 habitantes. Os lugares da freguesia são: Baiza, Balteiro, Giesta, Pombal, Menesas, Mata, Lijó, Mariz, São Lourenço, Serpente e Monte Grande (onde se inclui a urbanização de Vila D’Este) e Centro de Vilar.

A nossa Freguesia situa-se entre o Monte da Virgem e o Rio Febros. Tem uma posição geográfica estrategicamente privilegiada porque está cercada pelas maiores e melhores vias de comunicação, favorecendo a ligação rápida ao centro da cidade de Gaia, ao Porto e outras localidades do País.

Outrora uma freguesia rural, apesar do desenvolvimento urbano, tem muitas zonas verdes, como o Parque Biológico, com cerca de 80% do território em Vilar de Andorinho. Após o 25 de Abril verificou-se um enorme impulso urbanístico na construção de habitações. Passámos rapidamente para uma Freguesia urbana, com muitas urbanizações, sendo a maior a de Vila D’Este, sujeita ao programa do Estado de construções a custos controlados, ajudando a resolver grande parte da falta de habitação condigna para as populações do concelho.

O Centro Hospitalar Gaia/Espinho, a proximidade da ligação ao metro (que está projetado para finalizar junto à Vila D’Este) e os STCP, que servem uma parte da população da Freguesia, ajudaram a fixar a população.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Sente-se em Vilar de Andorinho a falta de infraestruturas sociais modernas e eficazes que permitam servir a freguesia como gostaríamos. A nossa freguesia e as suas infraestruturas e espaço público não mereceram a atenção devida ao longo de vários anos e, por isso, não acompanharam a evolução da população e das suas necessidades. Felizmente, e depois de muito trabalho e luta, vai arrancar, em breve, a construção do novo Centro de Saúde.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-A falta de emprego é um grande problema para a população vilarense e com o qual nos preocupamos bastante. Apesar de todo o trabalho desenvolvido pelo Gabinete de Inserção Profissional, pelo Gabinete de Ação Social, pela Câmara Municipal, com programas de inclusão e emergência social, é necessário um amplo programa a nível nacional que ajudasse a incluir no mercado de trabalho os desempregados da freguesia.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Graças ao trabalho que temos vindo a desenvolver, e ao contributo da Câmara Municipal de Gaia, temos boas perspetivas para o futuro de Vilar de Andorinho. A criação de uma nova centralidade, onde incluímos o novo Centro de Saúde, novos equipamentos sociais, a loja do cidadão, a futura ligação do metro à freguesia e o arranjo das vias interiores, permitirão um futuro mais moderno e atrativo.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Apesar de uma redução significativa nas nossas receitas, graças a uma gestão rigorosa e competente, temos uma situação financeira equilibrada com saldo positivo e zero dívidas.

J.A.-Qual o apoio que a Câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-A Câmara de Gaia tem sido um parceiro fundamental para o trabalho desenvolvido em Vilar de Andorinho. Temos apoios através dos acordos de execução mensais, em vários projetos e obras, como a requalificação de ruas e outros equipamentos sociais, e apoio nas diversas atividades desenvolvidas pela Junta de Freguesia.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-Existe uma relação de muita proximidade e empatia da população com a Junta de Freguesia, principalmente por parte dos mais idosos que nos procuram para os ajudar a tratar de vários assuntos. Conhecem-nos, confiam em nós e sabem que estamos disponíveis para os servir e apoiar.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-Apesar das restrições financeiras que prejudicam a nossa ação, continuaremos a trabalhar em prol da Freguesia, na prossecução dos objetivos a que nos propusemos, para melhorar a vida dos Vilarenses, principalmente dos mais desfavorecidos. Podemos dizer que concretizamos um leque ímpar de atividades muito importantes, tais como: as comemorações do 25 Abril; diversos torneios de futebol, caminhadas e Jogos Juvenis; as Marchas de S. João, a Feira Medieval, as colónias balneares, a Academia Sénior, entre outras. Apoiamos as Associações com obras, transportes, medalhas, taças; apoiamos a criação de uma fanfarra de Vilar de Andorinho. Continuaremos a ajudar, com alimentos e bens de primeira necessidade, as pessoas mais carenciadas. Efetuamos trabalhos nos jardins, ruas, caminhos, escolas e associações; fizemos limpeza dos terrenos das ruas e caminhos antigos – para as caminhadas e locais das festas; limpamos e arranjamos os Tanques. Temos desenvolvido várias acções de formação; ajudamos a Academia Sénior com a nova Sede; estamos a apoiar e a acompanhar o projeto Escolhas. Melhoramos a comunicação da Junta de Freguesia com as pessoas e criamos um novo logotipo e uma nova imagem. Temos realizado o Passeio Sénior; apoiamos as diversas Festas da Freguesia. Temos planeada uma Prova de Atletismo, assim como convívios e arraiais nos empreendimentos de Balteiro e Monte Grande. E temos incentivado a agricultura, formando e apoiando agricultores e vendedores de produtos agrícolas.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-A vida de autarca absorve muito tempo e, por isso, a vida familiar acaba por ficar prejudicada. Passo muito tempo ao serviço da Freguesia e da população e menos com a minha família. Graças a Deus e à boa compreensão e esforço da minha esposa e filhos, temos conseguido ultrapassar as dificuldades. A minha família reconhece a enorme ligação que tenho à terra onde nasci e sabe que é uma enorme honra servir com espírito de missão a minha Freguesia e os Vilarenses.
J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Continuem a trabalhar e a dar voz às autarquias, principalmente às freguesias que fazem um trabalho rico junto das suas populações e que tem sido tão desvalorizado ao longo dos anos.

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