Outubro 2016 - Nº 108 - I Série - Porto - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Porto
 

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Louredo

José Augusto da Silva Borges

   

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-Penso que, depois de um período de contenção económica, necessária dado o estado caótico da economia nacional e da sua quase banca rota, foram apesar de agressivas, necessárias, as políticas implementadas pelo anterior governo, o resultado dessas políticas colocou o País na rota do crescimento e da sustentabilidade. Com as novas políticas desta nova maioria encontrada a meu ver uma má solução para o País e para a continuidade da consolidação do crescimento da economia, penso que caminhamos a passos largos para uma situação de rotura da economia e dos níveis de confiança entretanto conquistados pelo anterior Governo.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-Penso que o País e a sua economia, ainda não estão preparados para que se avance com elas, apesar de serem medidas simpáticas para com os contribuintes salvo algumas excessões.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?

P.J.-Para minimizar este drama dos incêndios, na minha opinião era necessário alterar a legislação de forma a obrigar os proprietários dos terrenos a manterem-nos limpos na sua generalidade mas obrigatoriamente limpos a 100 metros de residências, industrias e outros tipos de infraestruturas.

J.A- Quais os auxílios (por parte do governo) que tem recebidos para ajudar a colmatar os efeitos causados, tanto a nível da autarquia como nível de particulares?

P.J.-na minha opinião tem sido feito um bom trabalho localmente, de apoio e dotação de meios materiais ás corporações de Bombeiros, os quais ajudam a minimizar os efeitos devastadores dos incêndios.

J.A.- Em seu entender acha que as forças militarizadas deveriam estar preparadas para ocorrerem a estas situações?

P.J.-Acho sinceramente que sim, as forças militarizadas, que por força da paz reinante no nosso país por altura do verão deveriam estar disponíveis para colaborar com as corporações de bombeiros no combate aos incêndios.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-Durante todo o período de crise económica e financeira, foi sempre a prioridade do meu executivo o apoio em diversas
áreas ás camadas da população mais vulneráveis e desfavorecidas, através de apoio alimentar, apoio á medicação, apoio á aquisição de óculos graduados, apoio á renda e apoio na área da saúde oral através de um protocolo que realizou em pouco mais de ano e meio cerca de 800 consultas dentárias envolvendo cerca de 300 pessoas.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-Penso que é um drama que atingiu proporções preocupantes, dada a relação entre a grande quantidade de casos e os níveis de violência e agressividade empregados, muitas mortes, muitos suicídios por parte do agressor, penso que a causa principal deste aumento se prende com a realidade económica do País, pois os motivos mais evidentes na maioria dos casos são as dificuldades financeiras dos agregados e as incertezas do dia a dia e do futuro, “ casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão. “

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.J.-Preocupa-me pela banalidade e facilidade com que é praticada, muito motivada em minha opinião pela justiça portuguesa, muito pouco penalizadora, branda e facilitadora, para com estes casos.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Penso que é penalizadora para Portugal e benéfica para os Países contratantes, por dois motivos: primeiro depois de um grande investimento na formação desses Jovens, de quadros técnicos superiores e outros trabalhos muito qualificados aos olhos da opinião pública internacional, na hora de rentabilizar-mos o investimento permitimos coloca-los ao serviço do crescimento de outros Países, segundo na hora de constituírem família e ganhar estabilidade social, são obrigados a viverem longe dos seus e da realidade que idealizaram a quando da sua formação.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-A nossa Autarquia tem uma grande preocupação com a população mais idosa e tudo faz para que se sinta feliz apoiada e realizada, através de organização de eventos culturais e recreativos, permitindo a sua integração e participação em todas as atividades do movimento sénior, para além disso a realização de passeios gratuitos para maiores de 60 anos, assim como acesso privilegiados a consultas protocoladas de apoio dentário pela simbólica quantia de 5 euros as quais para idosos carenciados são gratuitas.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-A minha Freguesia é uma Freguesia de características essencialmente rurais, com 1600 habitantes, 1300 eleitores e cerca de 500 fogos, 2, 880 Km2, 530 habitantes por Km2, era deficitária à 19 anos atrás, durante este período foram realizados enormes investimentos em todas as áreas, as quais a transformaram numa freguesia, bonita, simpática, acolhedora e com um projeto de crescimento e desenvolvimento sustentados, com visão de futuro. Apesar de possuirmos pouco comércio e pouca industria temos outros motivos atrativos que fazem de nós diferentes, a beleza natural da sua paisagem, o nosso vasto e rico património histórico e arquitectónico, a nossa gastronomia, e os belos arranjos urbanos que a caracterizam.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-A falta de meios económicos e financeiros para sustentar e preservar a sua condição de terra bonita asseada e bem infra-estruturada, pois a dotação trimestral do FEF, são 6 mil euros o que representa 2000 euros mensais para a gestão administrativa, sendo que temos 1 empregado a tempo inteiro e uma tarefeira diária. Penso ser urgente repensar o sistema de financiamento das Freguesias Portuguesas.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-A Conclusão do saneamento básico e água ao domicílio, pois a cobertura atual é de cerca de 70 %, faltam cerca de 30% da freguesia.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Apesar das dificuldades naturais e que irão com certeza persistir no futuro próximo, queremos continuar o nosso projeto de desenvolvimento sustentado, apostando nos nossos recursos naturais para crescer-mos e desenvolver-nos, com a construção do Parque de Lazer de Miragaia que neste momento arranca numa primeira fase com 3 hectares de terreno, ( 30 mil metros).

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-A situação financeira da junta é estável, temos contas consolidadas e ausência de endividamento, todos os nossos compromissos são pagos a pronto ou em casos pontuais até um máximo de 30 dias.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-A Câmara Municipal presta um apoio enorme ás Juntas de freguesia, existe uma dotação financeira protocolada destinada á manutenção dos espaços educativos, mas para além disso existe um apoio forte e constante á realização de obras e serviços de manutenção nas freguesias através de materiais e mão de obra.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-Existe uma cumplicidade e proximidade muito grandes entre a população e o executivo da junta e tem sido possível conseguir o envolvimento da população nos nossos projetos, somos uma terra ordeira e cúmplice no progresso crescimento e desenvolvimento.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-A mensagem é uma mensagem de esperança e confiança num futuro melhor e mais risonho, na certeza de que para isso pode sempre contar com o nosso empenho, a nossa dedicação, o nosso dinamismo, pois como ela queremos o melho para Louredo. Crescimento, desenvolvimento e bem estar social.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Com boa vontade apesar de difícil, vai sendo possível fazer a conciliação, pois normalmente impera a compreensão entre as partes, sempre com algum prejuízo pelo meio ao nivél do tempo disponível.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Enaltecer o seu trabalho em prol da promoção das Autarquias Portuguesas, e deixar votos de um empenho continuo em melhorar sempre e cada vez mais esse serviço de utilidade Pública. As Autarquias agradecem.

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