Outubro 2016 - Nº 108 - I Série - Porto - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Porto
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Ansiães

António Fonseca Brandão

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-Vão-se entretendo em discutir questões de mercearia do dia-a-dia, fazendo tábua rasa dos assuntos que verdadeiramente interessam aos Portugueses, como seja uma politica direcionada para o emprego e criação de riqueza, uma politica fiscal séria, redução da burocracia, atração de investimento e criação de condições para um desenvolvimento sustentado.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-Vejo com crescente apreensão a escandalosa demagogia reinante. O processo da CGD é um caso elucidativo, bem como a ilusão do crescimento económico. A politica florestal e combate ao incêndios.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-O desemprego, constitui um dos problemas mais graves da sociedade Portuguesa contemporânea. Incide em grande escala no distrito do Porto e a Freguesia de Ansiães a que Presido, foi e continua a ser também afetada. O especto mais visível tem a ver com o envelhecimento e desertificação, porquanto os jovens partem em busca de melhores condições de vida noutras paragens e não regressam. Aos que ficam, tentamos com os parcos recursos promover uma politica social ativa, com apoio alimentar ao domicilio e criação de espaços de convívio sénior.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-São efeitos diretos do desemprego e que derivam da falta de bens essenciais em casa, muitas vezes da perda da própria habitação, dos processos de divorcio e de um modo geral das frustrações diárias da vida. Em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. O efeito são o divorcio e o regresso de muitas mulheres a casa onde nasceram.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Demonstra a pobreza do nosso País, ao não conseguir proporcionar condições mínimas para que uma vez formados e em condições privilegiadas para entrarem no mercado de trabalho, o não possam fazer em Portugal.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-Celebramos protocolos de colaboração financeira com as instituições de solidariedade social da região que prestam cuidados de alimentação, higiene e visitas domiciliárias aos mais idosos. Recuperamos já uma das ex-escolas básicas desativadas e adaptámos as instalações para a criação de um Centro de dia.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-Ansiães pertence ao Concelho de Amarante dista 18 quilómetros da sede concelhia, e é uma das freguesias do Marão Ocidental. Confronta a nascente, com a freguesia de Campeã (Vila Real), a sul, com a freguesia de Teixeira Concelho de Baião), a poente e a norte, com as freguesias de Candemil, Várzea e Aboadela. É a maior freguesia do concelho, com 26,43 quilómetros quadrados, e regista o menor nível de densidade populacional. A sua rede de acessibilidades é constituída por um IP e por uma EN, estando o transporte rodoviário assegurado por uma carreira de transportes públicos que circula diária e regularmente.

A sua população está distribuída por núcleos. Um formado pelos lugares de Casal, Muro, Eido, Peso, Coval, Estrada e Soleiro que se situa na parte central da freguesia, em vale profundo atravessando o Rio Marão. O outro, situado junto ao Rio Póvoa a três quilómetros para sul, e é constituído pelos lugares de Fervença e Póvoa. Do povoamento inicial da freguesia, há conhecimento de um acompanhamento Romano, pelo que se encontram vestígios de uma antiga estrada Romana.

Ansiães começa a ser citada como paróquia independente no início do século XIV. A antiga freguesia de S. Paio de Ansiães era vigararia anexa á abadia de Bustelo, e da apresentação da mesma abadia, pertenceu ao concelho de Gestaçô até Outubro de 1855, data em que este foi extinto. Assim, passa a Freguesia e a integrar definitivamente no Concelho de Amarante. O seu orago é S. Paio.

O baldio de Ansiães, com 2500 hectares, de relevo muito acentuado, eleva-se aos rios Marão, Ramalhoso e Póvoa. Este terreno sofreu ao longo dos tempos várias apropriações. Em fins do século XIX, foi objecto de uma querela entre a freguesia e a câmara de Amarante, a quem pretencia todo o baldio. Por decisão do tribunal, em Dezembro de 1891, foi reconhecido como parte integrante da freguesia de Ansiães. O baldio sempre assumiu um papel determinante na vida dos habitantes da freguesia, porque era local de pasto do gado ouvino, caprino e bovino. Os habitantes usufruíam dos recursos naturais, como a água e a madeira, e também praticavam a apicultura de onde obtinham cerca de 500 litros de mel. Este era muito utilizado para fins terapêuticos.

A florestação do terreno, determinada pelo Estado Novo, em 1916, restringiu o acesso da população ás pastagens e condicionou o corte de lenha e de mato. Tal factor ajuda a compreender o decréscimo que se verificou em actividades como a agricultura e a pecuária, registado nessa época, assim como o surto de emigração na década de 60.

No entanto, a percentagem que a freguesia recebeu, respeitante a venda de madeira do baldio, foi aplicada na reparação, alargamento e calcetamento de caminhos, abertura de ligações entre os diversos lugares de Ansiães, instalação de rede de abastecimento de água, construção do centro social, do jardim de infância, do parque de jogos e de lavadouros públicos, contribuindo assim, para o desenvolvimento da freguesia.

Na reflorestação necessária após o grande incêndio que ocorreu em 1985, procurou-se diversificar as espécies plantadas, intercalando pinheiro bravo com espécies de folha caduca, tais como o carvalho e castanheiro. Criou-se ainda pontos de abastecimento de água contra incêndios e abriram-se estradas no interior do baldio.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Desertificação e envelhecimento da população, derivado de imensos fatores como o encerramento de escolas e demais serviços públicos, falta de investimento e criação de postos de trabalho.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-A gestão integrado dos recursos da Freguesia e um maior equilíbrio e dinamismo entre a Junta e o Conselho Diretivo de Baldios. A descentralização e melhor distribuição de meios financeiros pelas Autarquias.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Não somos de desistir com facilidade e a paixão que sentimos pela terra onde nascemos dão-nos força para acreditar num futuro promissor.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Estável e absolutamente controlada. Gerimos os parcos recursos com honestidade e responsabilidade. Aplicamos da melhor forma em prol de toda a população.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-Celebrámos acordos de execução previstos na Lei através dos quais nos é transferido mensalmente o montante de 3 482.50€. Temos participação de 1% no IMI Urbano e a totalidade do Rústico, que no total não ultrapassa os 800€ anuais. Presta ainda algum apoio técnico e comparticipa nos investimentos superiores.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-O máximo a todos os níveis. Participam e são ouvidos em todos os investimentos com algum relevo na Freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-Desde logo agradecer a colaboração que prestam, sempre que solicitados. Depois reafirmar que apesar das dificuldades, honraremos o nosso programa de Candidatura e como temos em mãos projetos adicionais de investimento e recuperação da Freguesia, anunciar em primeira mão e através do vosso Jornal a nossa intenção de recandidatura a um novo mandato.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Tem sido extenuante mas quando se trabalha com gosto e por uma causa nobre como é a criação de melhores condições de vida para os cidadãos residentes e que nos visitam, tudo vale a pena. A família, será compensada um dia…

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Obrigado pelo excelente trabalho em prol das Autarquias, Regiões e País. Continuem a dar voz a quem raramente tem oportunidade de o fazer.

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