Abril 2016 - Nº 102 - I Série - Cascais | Oeiras | Amadora - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Cascais | Oeiras | Amadora
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Barcarena

Fernando dos Santos Afonso

 

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza. Como está a autarquia a gerir este fenómeno social?

P.J.-   O aumento do desemprego nos últimos anos, tendência que felizmente se está a inverter, preocupa-nos a todos e não podendo influenciar determinantemente este aspeto, a Junta de Freguesia, no âmbito das suas competências, nomeadamente no seio da Comissão Social da Freguesia de Barcarena, procurará minimizar os seus efeitos.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-   A violência doméstica é um assunto que a todos preocupa embora se reconheça que sempre existiu em níveis elevados mas que, ou não eram participados, ou dela a comunicação social não dava o destaque que hoje tem. Julgamos, entretanto, da máxima urgência que o assunto merece uma melhor atenção de todos – sociólogos, antropólogos e entidades oficiais – em ordem a determinarem as causas e possíveis medidas para inverter esta situação.

J.A.-As medidas de austeridade impostas pelo governo, em seu entender têm resolvido os problemas do país?

P.J.-   Não me sentindo habilitado a dar uma resposta fundamentada, como cidadão que também “sentiu na pele” o efeito das medidas de austeridade, julgo que uma boa parte dos problemas relacionados com a crise foram debelados – a saída da Troika é disso prova – e esperamos que o País saiba dar continuidade a este ciclo de recuperação da nossa soberania económica.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-   Sendo certo que Portugal, de há décadas a esta parte, foi um país de elevada emigração, a saída de jovens, e particularmente os mais dotados, e nos quais o Estado ou os pais neles muito investiram, é preocupante pois poderiam constituir-se como a melhor garantia de modernidade e sucesso nos diferentes sectores da nossa sociedade.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.-   Embora conhecendo e reconhecendo os potenciais riscos que tão elevado número de refugiados possam representar para a Europa, amplamente debatidos nos mais diferentes fora, julgo que a UE, apesar dos riscos, está a dar mostras ao mundo da sua solidariedade para com todos os que sofrem os horrores da guerra e/ou do despotismo de alguns dirigentes.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-   Reconhecidamente na Freguesia de Barcarena, o maior apoio aos menos jovens é prestado pelo Centro Social e Paroquial da Freguesia que tem feito um trabalho fantástico a todos os níveis, colaborando com a Junta, particularmente através da Comissão Social de Freguesia, acudindo aos casos julgados mais urgentes, e passíveis de uma intervenção social.

J.A.-Qual a sua opinião sobre o projeto da liberalização de drogas leves?

P.J.-   Quanto à liberalização das drogas leves, apenas posso dar a minha opinião meramente pessoal e como ex-membro das Forças de Segurança, discordando de todas as medidas que potenciam e incentivam, pela certa, a iniciação ao consumo de estupefacientes, sendo certo e reconhecido pela grande parte dos especialistas que a espiral do consumo de todo o tipo de drogas tem um início naquelas que, leviana ou intencionalmente são classificadas como leves.

J.A.-Como vê a redução dos serviços de saúde (Centros de saúde e hospitais)?

P.J.-   Na Freguesia de Barcarena é reconhecida, da há muito, a necessidade de uma nova Unidade da Saúde Familiar que permita atingir o desiderato nacional de atribuir um médico de família a cada cidadão. Como é do domínio público, essa nova Unidade de Saúde será uma realidade a breve trecho.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-   A Freguesia de Barcarena abarca uma área de 9,1 km2 e tem uma população de mais de 15.000 habitantes, sendo constituída por cinco grandes localidades – Barcarena, Leceia, Valejas, Tercena e Queluz de Baixo – separadas geograficamente pela morfologia do terreno ou pela ação do homem. Tem uma história que se inicia no Neolítico final com a identificação de uma comunidade no povoado fortificado pré-histórico de Leceia – recuperado e visitável - ficando indelevelmente identificada pela sua Fábrica da Pólvora cujo funcionamento remonta a meados do século XVI e que atualmente se constitui como o maior projeto de recuperação de um complexo industrial e a transformação dos seus 42 hectares num espaço de cultura – Universidade Atlântica, Museu da Pólvora Negra e Centro de Estudos Arqueológicos – e lazer, com jardins, parques, cafés/restaurantes e espetáculos artísticos e culturais ao longo de todo o ano.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesa se debate?

P.J.-   Identificar e quantificar o maior problema na Freguesia não é fácil. Noentanto, a descontinuidade territorial, as fracas condições de mobilidade, o envelhecimento da população e a falta de uma verdadeira identidade de freguesia, aliadas a uma gradual perda do poder de compra das famílias, são dos maiores problemas identificados numa primeira abordagem.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-   A segurança, que é um bem precioso para todos nós, é outra das nossas preocupações, embora se reconheça que os índices de criminalidade no Concelho de Oeiras correspondam a cerca de metade da média nacional. Gostaríamos, também, de ter uma maior intervenção na área social e nas medidas de incentivo à captação de iniciativas que potenciassem maiores investimentos, públicos ou privados, criadores de emprego e riqueza para os habitantes desta Freguesia.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-   Apesar de Barcarena ser uma das grandes vítimas da crise que motivou a intervenção internacional no nosso país, já que fez suster grandes projetos imobiliários com as consequentes contrapartidas para a Autarquia, as perspetivas são animadoras já que confiamos na capacidade de superação e visão da iniciativa privada e na solidariedade e capacidade do Município de Oeiras em captar os investimentos indispensáveis ao desenvolvimento sustentável da Freguesia.

J.A.-Qual o grande projeto do futuro?

P.J.-   O grande projeto, a curto prazo, é a construção do novo Centro de Saúde. A construção do Centro Social e Paroquial em cujo projeto a Câmara Municipal tem grande envolvimento é outra das ambições dos muitos beneficiários deste equipamento social. Claro que gostaríamos de ver a população da Freguesia aumentada, em ordem a justificar uma Escola Secundária e um Pavilhão Gimnodesportivo que terão de ficar, certamente, para dias melhores.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-   A Freguesia de Barcarena apresenta uma situação financeira estável e consolidada, primando por um equilíbrio perfeito entre as receitas e as despesas.

J.A.-Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de Freguesia?

P.J.-   Para além de toda a intervenção nas mais diversas áreas da sua competência, a Câmara Municipal de Oeiras estabeleceu com as suas Uniões e Juntas de Freguesia um protocolo de delegação de competências, consubstanciado no Acordo de Execução e no Contrato Interadministrativo que prevê a atribuição dos meios humanos, técnicos e financeiros necessários ao cumprimento das tarefas decorrentes desse protocolo.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-   Uma das maiores apostas deste Executivo foi a criação de condições para uma maior participação dos habitantes da Freguesia em tudo o que lhes diz respeito, criando condições para uma maior e melhor comunicação entre todos e na proximidade potenciadora de relações de confiança que garantam uma mais célere identificação dos problemas, contribuindo para a sua resolução. Reconheço que ainda há um longo caminho a percorrer, confiando no envolvimento de todos e, particularmente, no das diferentes Coletividades e Instituições da Freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-   A mensagem não poderá ser outra que não seja a de esperança e confiança. Esperança num futuro melhor para nós e para os nossos filhos, e de confiança na capacidade dos nossos dirigentes, onde o Executivo da Junta se inclui, para encontrar soluções para os problemas com que constantemente nos debatemos e para criar os incentivos indispensáveis à captação de investimentos que criem riqueza e empregos para os habitantes da Freguesia.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-   Dada a minha vivência profissional desde os meus 21 anos, sempre ligado ao serviço da Pátria e à causa pública, os meus hábitos de trabalho e disponibilidade permanente não se alteraram. A minha família está perfeitamente ciente e imbuída deste espírito, apoiando-me em tudo o que as exigências do desempenho das minhas funções representam.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-   A minha mensagem ao Jornal das Autarquias é de incentivo à prossecução de uma informação isenta e útil a todos os autarcas do país, em ordem a mantê-los informados sobre tudo o que de relevante se passa nesta área tão importante do exercício democrático do poder local.

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