Janeiro 2017 - Nº 111 - I Série - Bragança e Vila Real - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Bragança e Vila Real
 

Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Louredo e Fornelos

Manuel Augusto Pinto

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

PUF.-A politica atual consiste num jogo de interesses onde temos políticos que não olham a meios para atingir os fins, que pensam apenas no seu bem estar.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

PUF.-Penso que a nível de poder local poucos serão os benefícios, uma vez que há o aumento das delegações de competências nas autarquias e não há aumentos de apoios financeiros.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?

PUF.-Aumentar a sensibilização e ocupação da população nomeadamente os beneficiários do RSI na limpeza e manutenção dos espaços florestais.

J.A- Quais os auxílios (por parte do governo) que tem recebidos para ajudar a colmatar os efeitos causados, tanto a nível da autarquia como nível de particulares?

PUF.-Poucos ou até poderia dizer nenhuns.

J.A.- Em seu entender acha que as forças militarizadas deveriam estar preparadas para ocorrerem a estas situações?

PUF.-Sim, é importante que todas as forças estejam preparadas caso seja preciso a sua intervenção.

J.A.- O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

PUF.-É verdade que o desemprego é possivelmente o maior problema social com que o país e a nossa região se deparam.

Porém não é nas pequenas freguesias do interior que os efeitos negativos desse fenómeno se fazem sentir com maior intensidade. O que não significa que não estejamos atentos a esse problema social e não façamos o que está ao nosso alcance para o minimizar.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

PUF.-Trata-se de um problema essencialmente cultural e que acontece em todas as classes sociais. O veloz aumento deste tipo de criminalidade deve preocupar-nos mas, sobretudo, deve obrigar-nos a uma reflexão de âmbito nacional sobre as medidas a tomar urgentemente. No que diz respeito à prevenção, quer a família quer a escola têm, nesta matéria, um papel importantissimo na mudança de mentalidades e comportamentos. Por outro lado, e já no campo da repressão, a justiça deve também abordar de forma diferente todos os casos de violência doméstica dando atenção acrescida aos que envolvem os nossos jovens.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

PUF.-Segundo a minha opinião a violência gratuita que se gera atualmente na nossa sociedade é o efeito provocado pelo excesso de liberdade e falta de medidas que castiguem severamente atitudes de alguns cidadãos.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

PUF.-Penso que temos jovens altamente preparados e que são desejados em qualquer país e que se destacam pela sua inteligência e isso é motivo de orgulho, mas infelizmente não somos capazes, enquanto país, de criar condições para que os nossos jovens possam ficar em Portugal, se assim o desejarem, e até fazer com que os de outros países desejem imigrar para o nosso. A troca de conhecimento e culturas diferentes só nos enriquece. É necessário e urgente apostar na ciência criando condições para uma maior ligação entre empresas, universidades e centros de investigação. O conhecimento só faz sentido se for posto ao serviço das pessoas e das empresas.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

PUF.-Como sabe as freguesias estão muito limitadas em termos de autonomia financeira. Não têm fontes de receita significativas, e as transferências do orçamento geral do estado são, nalguns casos, ridículas. As receitas obtidas são apenas para fazer face às despesas correntes. Mesmo assim fazemos tudo para, dentro das nossas possibilidades, lhes proporcionar atividades de convívio e aprendizagens que lhes permitam melhorar a sua qualidade de vida e ajudar no combate ao isolamento e proporcionando também transporte até ao local do transporte público mais próximo, uma vez que temos aldeias na freguesia, que nos dias que correm ainda não são servidas de transportes públicos.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

PUF.-A União das Freguesias de Louredo e Fornelos, localiza-se a norte do concelho distando 9 km de da sede concelhia, Santa Marta de Penaguião, e aos pés da Serra do Marão é resultado da junção de 2 Freguesias, a extinta Freguesia de Louredo que é composta por 4 aldeias dispersas e mais e alguns lugares próximos dessas aldeias onde também há população e pela extinta Freguesia de Fornelos composta por apenas uma localidade. É uma Freguesia em que a maioria da população é idosa e constituída por aldeias bastante dispersas, é um meio com tantos outros, com uma taxa elevada de emigração e os que por cá estão (Sobre)vivem dos bens cultivados nas suas terras, essencialmente o vinho e as castanhas.

J.A.- Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

PUF.-É sempre muito difícil elencar todos os problemas e dentro deles o maior. Todavia arrisco a dizer que os maiores problemas que temos na nossa freguesia são o problema demográfico. A baixa natalidade e os poucos jovens que temos alguns (muitos deles) vêem-se obrigados a emigrar por não terem possibilidades de construírem o futuro a que têm direito na sua terra natal.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

PUF.-A escassa rede de transportes que acaba por isolar as aldeias e obrigando a população mais idosa e com dificuldades de mobilidade a deslocar-se de táxi até à sede do concelho.

J.A.- Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

PUF.-Embora não seja, por natureza, exageradamente otimista, perspetivo para a nossa freguesia, um futuro promissor. Temos potencialidades naturais e humanas que me permitem ter esperança num futuro melhor que este presente e que, ao contrário do que sucede atualmente, transformem a esta terra num local apelativo quer para os que cá estão quer para os que estão fora.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

PUF.-Insustentável. As receitas são para fazer face às despesas correntes obrigatórias.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

PUF.-No que concerne à nossa freguesia o apoio prestado pela Câmara Municipal não é suficiente para fazer face a despesas para a realização de trabalhos na freguesia, temos com a Câmara Municipal um contrato Interadministrativo e paga o salário de um funcionário ao serviço da Junta para manutenção e limpeza de caminhos rurais e ruas da Freguesia.

J.A. -Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

PUF.-A falta de envolvimento da população nas questões da vida coletiva é, desde há muito tempo, um comportamento que urge inverter. Estou nestas funções há cerca de ano e meio e, modéstia à parte, penso já ter conseguido alguns progressos nessa matéria. A informação que me vai chegando leva-me a pensar que estamos no caminho certo. Sei que é um trabalho difícil e lento, mas penso que vamos conseguir.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

PUF.-Uma mensagem simples. Que sejam mais interventivos, participativos e críticos. Que questionem as decisões politicas e apontem soluções. Que nunca desistam de lutar pelo que entendem ser o melhor para a sua terra e para as gerações futuras.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

PUF.-Com muita dificuldade e em prejuízo da família e vida profissional. Mas, a partir do momento em que tomei a decisão de me candidatar a estas funções é meu dever exercê-las com a maior dedicação. A política é, sem dúvida, uma atividade muito nobre. É pena alguns políticos nem sempre saberem estar à altura dessa nobreza.

J.A.- Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

PUF.-Uma mensagem de felicitações pela louvável iniciativa. Espero e desejo que continuem, cada vez mais, a divulgar as nossas freguesias e, se possível, divulgar cada vez mais este lugares do interior para que as pessoas possam contactar mais de perto com as nossas realidades. Agradeço a todos por este tipo de ações.

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