Janeiro 2017 - Nº 111 - I Série - Bragança e Vila Real - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Bragança e Vila Real
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Possacos

Fernando Teixeira Fernandes

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-A situação política atual penso estar mais estável, embora ainda pare no ar uma certa incerteza no dia-a-dia.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-As medidas anunciadas estarão a melhorar ao nível da crise que temos vindo a atravessar, mas acho que ainda não são suficientes. A pobreza nas nossas freguesias cada vez é maior.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?

P.J.-Bem medidas, somos nós todos os anos fustigados por elas. Cada ano que surge e cada politico que toma conta desta matéria tem novas ideias e cada vez temos mais área ardida com as verbas encaminhadas cada vez maiores mas sem resultados práticos.

Ninguém tem dúvida que a prevenção se for feita a tempos e horas será a melhor medida. Outra medida que penso que resultaria, é o comando de operações na zona ser feito programado como um plano de evacuação. Antes do incêndio, o comandante dos Bombeiros da zona em articulação com os presidentes de Junta e comandos distritais, operacionalizar as possíveis zonas de incêndio. Aí definir possíveis cortes de incêndio e outras estratégias a adotar.

No incêndio último é de realçar a excelente ajuda dada pelos nossos vizinhos de Espanha que através de meios aéreos e largando sapadores foram de uma eficácia muito boa, principalmente junto dos limites do aglomerado urbano.

J.A- Quais os auxílios (por parte do governo) que tem recebidos para ajudar a colmatar os efeitos causados, tanto a nível da autarquia como nível de particulares?

P.J.-Os auxílios são nulos e só em caso de calamidade surgem por parte do governo central medidas que devido à sua burocracia, aquilo que é exigido aos agricultores, acabam por desistir e acomodar-se com os prejuízos bastante avultados. Este ano surgir a medida 6.22, do Despacho n.º 13260-B2016, direcionado aos agricultores, visando ajudar a replantação. Penso que só seria usado por uma ou duas pessoas. As medidas terão que ser de outro género mais simples de aplicar. A autarquia tem dado todos os anos ajuda aos proprietários que têm animais. Este ano foi dada uma quantia por cabeça de gado.

J.A.- Em seu entender acha que as forças militarizadas deveriam estar preparadas para ocorrerem a estas situações?

P.J.-Sim, os militares seriam uma mais-valia para a ajuda dos bombeiros. É pessoal mais jovem e hábil com treino militar.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-A autarquia tenta minimizar esse problema com algumas medidas que têm vindo a ser implementadas. No entanto todos os recursos são poucos e economicamente as verbas também não chegam. Os jovens acabam por sair para o estrangeiro ou para outros lugares do litoral.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-Felizmente e falando sobre a minha freguesia aqui não se têm dado casos de violência. Mas penso que a falta de recursos económicos, de apoio e carinho por falta dos familiares será uma das causas da violência. Ainda bem que o concelho tem uma rede de residências (lares) no concelho, bastante boa, que nem todos usufruem dela por vários motivos.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.J.-Poderíamos aqui identificar algumas situações que poderão estar implícitas nessa violência: Falta de acompanhamento dos filhos por parte dos pais ou também por parte das instituições. Revolta dos jovens para com a falta de empregos. A Comunicação, nem sempre é filtrado o que é bom e o que é mau. Fico por aqui referindo só que a mão da justiça deveria ser mais pesada, não digo só para com certos casos de violência mas para outros que as pessoas criticam como a justiça não ser igual para todos.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Estamos a deixar sair os nossos quadros mais qualificados, estando nós a precisar deles e a investir na sua formação. Apesar de em Portugal ser mais mal pagos os jovens preferem ficar cá. Deem-lhe uma oportunidade.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-A autarquia tem vários programas de ajuda aos idosos, desde a ajuda na compra de medicamentos ajuda na habitação e outros aspetos sociais. A nível de prestações de serviços, os habitantes podem fazer todo o tipo de pagamento, como água, luz e telefone. Também muitos recebem as suas pensões.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-A minha freguesia é muito parecida com outras do concelho. A população é bastante envelhecida. Ensino neste momento não tem, pois os jovens também já foi tempo em que aqui se fixaram a trabalhar na agricultura. Os habitantes bastante acolhedores dedicam-se essencialmente à agricultura, olival, vinha, castanheiro e amendoeira. Agricultura, esta de subsistência. Existem também 5 ou 6 empresas familiares que se dedicam à pecuária e pelo menos uma empresa à produção de vinho e azeite. Tem um lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia. É uma aldeia bonita, não fosse aquela onde eu nasci, faz fronteira com Espanha através do rio Douro, e de Verão a população aumenta para o dobro

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-A população envelhecida e falta de verbas, para fazer com que esta população tenha também um nível de vida que merece.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-Essencialmente um centro de convívio preparado para haver uma confraternização entre mais e menos jovens. Um armazém de apoio à freguesia

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Eu tenho as melhores perspetivas já que desistir de contribuir para que esta população usufrua daquilo a que têm direito será abandoná-la. Temos que tornar a freguesia ainda mais acolhedora, mais bonita para que todos se sintam bem, os residentes e aqueles que nos visitam.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Penso que bastante boa.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-Até ao momento, todo o tipo de apoio solicitado tem sido concedido, isto também dentro das competências que lhe são inerentes.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-O envolvimento é mais a nível Social e outro desde que seja solicitado.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-A mensagem è muito simples, uma mensagem de carinho, respeito que tenho por todos eles, que nunca desistam das suas convicções e que nunca esqueçam a terra que os viu nascer. Nesta quadra natalícia desejo a todos Boas Festas junto daqueles que lhe são mais queridos e que contem sempre comigo, pois eu também conto com eles. Um abraço fraterno para todos.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Neste momento, com um bocado de sacrifício, que a minha profissão é outra mas uma coisa é certa, é gratificante dar parte de nós, trabalhar em prol desta gente.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Em primeiro lugar desejar um 2017 cheio de prosperidade e que haja força para continuar a divulgação daquilo que nos une e temos de melhor, que são as nossas autarquias.

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