Dezembro 2016 - Nº 110 - I Série - Braga e Viana do Castelo - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Braga e Viana do Castelo
 

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de São Vicente - Braga

Manuel Jorge Costa Pires

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-Não podemos ter uma opinião politica sem pensar na parte económica. Se Portugal não estivesse amarrado á dívida, aos défices, ás politicas financeiras impostas pelas grandes potencias económicas, o País certamente não tinha qualquer problema politico.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-Se analisarmos o OE 2017, verificamos logo que os impostos aumentam, isso implica que o custo dos bens e serviços irão aumentar, consequentemente a pobreza será maior, não vislumbramos aumento na produção os postos de trabalho têm diminuído por vários motivos, as pensões mínimas continuam muito baixas, as pessoas vão perdendo a esperança no futuro, os jovens continuarão a sair do País, assim consequentemente iremos ter mais desempregados, mais depressão, mais violência na rua, mais insegurança, as dificuldades de vida aumentam e será muito difícil as pessoas sobreviver com a dignidade que todos deveriam ter.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?

P.J.-Julgo que nesta área é necessário criar condições para que os Tribunais apliquem penas pesadas aos incendiários.

J.A- Quais os auxílios (por parte do governo) que tem recebidos para ajudar a colmatar os efeitos causados, tanto a nível da autarquia como nível de particulares?

P.J.-A nossa Junta de Freguesia é urbana e não vive directamente com o flagelo dos incêndios.

J.A.- Em seu entender acha que as forças militarizadas deveriam estar preparadas para ocorrerem a estas situações?

P.J.-Temos que estar todos preparados, as forças Militarizadas, os Cidadãos e a Justiça.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-Residem 13 000 pessoas em S Vicente, como deve calcular neste número existem todas as situações. Os que nos preocupam mais são as pessoas que se encontram sem emprego, os idosos, as crianças, pessoas doentes e deficientes, as pessoas que não possuem habitação e este grupo é muito grande.

Para atenuar esta situação reforçamos as cantinas Escolares, servimos refeições sem qualquer custo para os filhos de pessoas com dificuldades económicas.

Temos conseguido estar próximos das pessoas mais carenciadas, com a contribuição de toda a sociedade Vicentina. A população, as Empresas, Associações e Instituições, estão de mãos dadas uns oferendo trabalho através do voluntariado e outros ajudando com bens essenciais e comida, assim todos estamos no terreno a apoiar diariamente 170 famílias.

Mas esperamos que o Estado também possa ajudar com mais apoios na ajuda a este grupo que cresce todos os dias.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-É conhecido o ditado popular “onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão” Julgo que a grave situação económica, agrava as situações de violência e intolerância entre as pessoas.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.J.-Julgo que a falta de emprego e a diminuição dos subsídios sociais, provoca fatalmente descontentamento, conflitos, insegurança por desânimo e falta de perspectivas de futuro. Assistimos cada vez mais á lei do mais forte, assaltos violentos, crimes passionais, falta de respeito pela humanidade.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-A emigração dos nossos quadros é muito grave e ficamos com percas irreparáveis no futuro. É uma emigração de luxo, que se deslocam para Países que lhe proporcionam melhores salários, ficando Portugal cada vez mais pobre, com menos jovens, com a desertificação e os idosos a aumentar. É urgente criar medidas politicas, que segurem estes jovens a ajudar a enriquecer o seu País.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

Ajudamos a Associação de Reformados da Freguesia a crescer, disponibilizamos uma espaço onde diariamente os reformados se juntam, apoiando as suas iniciativas, abrimos outros espaços, para oferecer ginástica danças e jogos tradicionais, do agrado dos mais idosos. Periodicamente promovemos convívios, passeios, temos organizado palestras especialmente abordando os temas, segurança e saúde.

Criamos e fomentamos o apoio domiciliário, para que as pessoas vivam com condições de vida e mais anos nas suas casas. A Policia Segurança Pública também dispõe de um polícia de proximidade que vigia a segurança dos idosos, principalmente os que vivem sozinhos.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-São Vicente subiu ao posto de freguesia em 6 de Dezembro de 1933. È uma Freguesia Urbana forte em comércio e serviços e rica em registos que dão respeitável antiguidade, pese embora só tenha visto a restauração da sua paróquia em 1926.

Esta freguesia bracarense, tem como vizinhas S. Vítor (a leste), Palmeira (a nordeste), Dume (a noroeste), Sé (a ocidente) e S. João do Souto e S. José de S. Lázaro (ambas a sul).

Com quase quinze mil residentes, a freguesia de S. Vicente, que ocupa 142 hectares, tem a maioria da sua população espalhada por bairros e lugares: Misericórdia, Nossa Senhora do Monte, Andorinhas e Quinta das Fontainhas, Boavista, Confeiteira e S. Romão.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Os problemas sociais, o envelhecimento da população e a falta de emprego são os mais preocupantes. Temos também grandes constrangimentos no trânsito, especialmente em certas horas na entrada e saída da Cidade de Braga.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-Necessitamos algumas infra estruturas, como uma Casa Mortuária, um Lar de terceira idade, arranjos urbanísticos, mais segurança e ampliação da Loja Social e que fosse mais apoiada pelo Estado.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Na Freguesia existe boa gente, com muitas Associações e grandes Instituições, portanto não receamos a continuação do crescimento da nossa Freguesia.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Com a gestão rigorosa que se imprimiu, a situação económica da Junta de Freguesia é boa.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-As Juntas Urbanas em Braga não tem apoios financeiros da Câmara, o urbanismo, a limpeza os espaços verdes, assim como os arruamentos são tutelados pela CMB.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-A população procura na sede da Junta, um bom atendimento, um sorriso e uma prestável ajuda no tratamento de processos necessários para outras Instituições, como por ex: pedidos de reforma, abonos, isenção de taxas moderadoras e IRS entre outros. Pode também na Sede da Junta ser ajudado na procura de emprego no (GIP), também no gabinete militar, poder ser esclarecido e candidatar-se a um trabalho nas forças armadas. Temos ainda para oferecer, uma biblioteca, internet, um pavilhão multiusos, que se encontra aberto todos os dias, com palestras, ginástica, danças e festas. A Loja Social nunca é demais referir a sua importância na ajuda às pessoas com maior dificuldade económica da nossa Freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-O Executivo da Junta de Freguesia conta com toda a gente.

As Pessoas podem continuar a contar sempre, com a nossa disponibilidade e capacidade para ajudar a nossa gente a resolver os seus problemas.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Não é fácil, só tem sido possível porque tenho uma família compreensiva e com grande espírito de equipa, sempre prontos ajudar quem precisa.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-O vosso trabalho é útil para levar junto de outros autarcas e da população o conhecimento do que se faz no País.

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