Dezembro 2016 - Nº 110 - I Série - Braga e Viana do Castelo - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Braga e Viana do Castelo
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Oliveira

Nelson Fernandes

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-O estado da política portuguesa é idêntico ao do brasil – dilatado pelo calor, escreveu Eça de Queirós. A analogia é perfeita para elucidar tudo e todos do estado da política e dos políticos nacionais e mundiais, o apetite pelo poder e pelo uso do Estado em benefício próprio, do partido e da ideologia que representam, na minha opinião o estado actual da política é da maioria dos seus representantes, degradante.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-A economia apresentará tendência de abrandamento e os défices não vão descer bem pelo contrário, continuamos a insistir em políticas despesistas, tendem em assentar no aumento da despesa pública, em meros exercícios políticos com gestão unilateral a pensar no agrado ao eleitorado, nunca com horizonte de um futuro melhor para o país.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?

P.J.-Estamos, perante uma catástrofe natural de gravíssimas consequências humanas, sociais e económicas, acima de tudo destruição de um bem essencial a florestal. Mas estas estatísticas mentem, alguns concelhos mais duramente atingido, representa mais de 50% da totalidade do território, tudo começa em gestões do estado ou apoiadas por si, se fizerem cumprir a lei quanto a estas matérias temos 50% do problema resolvido, os outros 50% dependem de interesses públicos privados é a política, gestão de dinheiros públicos de forma danosa.

J.A- Quais os auxílios (por parte do governo) que tem recebidos para ajudar a colmatar os efeitos causados, tanto a nível da autarquia como nível de particulares?

P.J.-O custo dos auxílios devem ser utilizados na prevenção real e organizada em sintonia com tudo e todos de forma séria e profissional, mas continuamos a pagar em muitos casos para limpar e depois para reflorestar, sem controlar de forma séria todos os processos.

J.A.- Em seu entender acha que as forças militarizadas deveriam estar preparadas para ocorrerem a estas situações?

P.J.-As forças militarizadas deveriam estar disponíveis e preparadas, munidas de meios aéreos de forma a colaborar com as corporações de bombeiros no combate aos incêndios, optimizando custos eliminando ruídos ou interesses, repare como pode funcionar uma parceira publico privada, quando uma entidade luta para não arder e uma outra reza para acontecer, caso contrario a falência dessas empresas era iminente.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-A pobreza existe no país e no mundo, as politicas dos subsídios deveriam obrigar as pessoas a trabalhar, tal como os presos deveriam contribuir positivamente trabalhando e acrescentando valor ao país na sua maioria são pessoas saudáveis, nada nem ninguém pode viver se não produzir riqueza, está na hora de acordarmos e deixarmos de ter políticas de sobrevivência, tenho sérias dificuldades em entender algumas formas de gestão, dificilmente encontramos empresas onde existe a participação de capital público, com apresentações de resultados financeiros saudáveis, algumas não tinham que dar lucros mas não tem porque dar prejuízos.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-Tudo uma questão de educação familiar, formação de base e princípios claros de respeitabilidade, podemos ir do berço às escolas não existe um manual para, tem aumentado e tem tendências a aumentar, as pessoas hoje vivem horas no mundo virtual presos a redes sociais, não convivem, simplesmente sobrevivem, e por fim a falta de euros tal como diz o ditado “ em casa onde não á pão todos ralham e ninguém tem razão”

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.J.-Falta de valores humanos e desacreditação no futuro, acima de tudo as pessoas não estão minimamente preparadas para enfrentar a globalização e transformação do novo mundo, o lado virtual e real partilham uma única vida, crescem e conquistam com um simples clique através de uma plataforma informática, carecemos todos de aprender a viver neste novo mundo, utlizado construtivamente as novas tecnologias, acima de tudo saber ouvir não.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Uns vão outros ficam, outros vem de outros países, faz parte da globalização na minha opinião é benéfico ver os nossos espalhados pelo mundo, em cargos de referencia que dificilmente teriam no nosso pais, onde a cunha e o favor presenteia os menos capacitados, a emigração não é um problema, ela sempre existiu e ter gente capaz com sangue luso pelo mundo, pode e deve ajudar em muito o crescimento económico do pais ao contrario do que muitos apregoam.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-Tentamos estar presentes junto dos nossos seniores desde uma simples alimentação a uma aula de aeróbica ou uma simples partilha de conhecimento.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-Oliveira é uma terra de gente capaz e sonhadora e com atitude." Muita gente espera que os sonhos se realizem por mera magia, mas toda magica não passa de uma mera ilusão, em Oliveira acreditaram que somos capazes, acima de tudo temos a coragem de lutar e realizar muitos dos nossos sonhos, mesmo com alguns a nunca sonharem ou acreditarem... Ainda assim, somos capazes de os realizar, vivemos acreditados num melhor futuro para Oliveira! Fazemos Bem!

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-O nosso problema é o do país, desertificação e uma população envelhecida em decréscimo frequente, temo se nada se fizer para contrariar as políticas nos meios rurais muitas freguesias tendem a desaparecer.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-A fixação da população jovem e equidade das políticas centrais entre meios urbanos e meios rurais, não vamos pedir que construam por exemplo uma piscina para os nossos seniores a viver em meio rural, mas podemos oferecer aos mesmos o uso gratuito, muito para fazer uma hora de piscina tem custos elevadíssimos ao nível de deslocação, um habitante urbano não tem, pois as infra-estruturas estão a seu lado.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Afirmar a qualidade de vida, ajudar a criar condições necessárias para inverter a tendência da desertificação munindo a freguesia das melhores condições possíveis igualando as mesmas ao circuito mais urbano.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Estável com poucos dígitos nas contas, regularizados os compromissos.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-As políticas do município de apoio às freguesias tem sido uma constante, caso contrário seria o fim de muitas freguesias, o poder central pensa alcatrão e freguesias mais urbanas cidades e núcleos de concentração, não pensa no desenvolvimento ou bem-estar de todos, mas sim nos eleitorados na conquista dos votos, fazer algo pelas freguesias mais rurais com pouca densidade populacional não é de todo a ambição dos políticos.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-A população e a autarquia são um casamento perfeito, onde reina respeito, união e muita colaboração, incluído o associativismo e a igreja todos lutam e remam para o mesmo lado, a comunidade é a mesma não tem nem deve estar nunca separada pelas politiquices.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-Uma palavra de apreço pela cooperação que actualmente se vive, relação de proximidade com todas digo todas as pessoas, pelos feitos conseguidos em tao curto espaço de tempo com tão poucos recursos, estou certo que estamos alinhados com a nossa assinatura Oliveira Fazemos Bem!

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-A vida é feita de feitos e realizações, aceitei o desafio por carolice de forma firme seria e honesta, confesso não me rever nas políticas e na esmagadora maioria dos políticos, são gente muito presa aos conhecimentos técnico científicos, não desprendem das folhas de excel, se por um lado nunca tivemos tanta gente formada a governar o mundo, não compreendo o porquê de estarmos tao mal economicamente, formação nem sempre é sinónimo de conhecimento, a família compreende a missão é tudo uma questão de organização e disponibilidade em prol de uma causa nobre.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Uma mensagem de felicitação ao Jornal das Autarquias, continue a dar e levar algum do conhecimento das nossas Autarquias, tantas vezes esquecidas pela comunicação social, tratando as freguesias principalmente as mais rurais com desprezo, a desvalorização uma missão nobre e gratuita como a de um simples presidente de junta.

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