Dezembro 2016 - Nº 110 - I Série - Braga e Viana do Castelo - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Braga e Viana do Castelo
 

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo

José Monteiro da Silva

 

J.A. – Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.- Com a queda do anterior Governo nas últimas eleições legislativas, as classes baixa e média já respiram com algum alívio e esperança, depois de passarem por momentos aflitivos ao verem o fruto do seu trabalho a ser brutalmente subtraído com cortes salariais e cortes de benefícios sociais, entre outros, que no seu conjunto provocaram um aumento generalizado da pobreza, tudo isto devido ainjustasimposições de um determinado“Capitalismo Selvagem Europeu”que o Governo anterior satisfazia com um exageradoservilismo, indo até, por vezes, para além das imposições de Bruxelas. Com a entrada do atual Governo, apesar de lhe chamarem “geringonça”, certo é que a mesma tem funcionado com diálogo, dentro de um elevado sentido de responsabilidades dos intervenientes, o que tem originado alguma da paz social e esperança entre a população. Esta sensação de alguma estabilidade, vem comprovar que existem outras soluções para além da exagerada autoridade aplicada na vigência do anterior Governo e até sinto que os seus responsáveis estão a ficar um pouco nervosos à mistura com alguns remorsos. Sinto tudo isto, porque me apercebo que estamos gradualmente a deixar para a história acruel austeridade que impuseram ao nosso Pais e os países mais pobres da Europa. Julgo que a tal “geringonça”,apesar de não ter parecido muito segura no seu início, a sua durabilidade em paz social tem enervado os dirigentesmais retrógradas dos Partidos de Direita que não lhe davam muitos dias de vida. Estou convencido, que a situação política atual tem sido uma surpresa pela positiva, pois, presentemente, a ausência, (mesmo que temporária), do medo de um futuro ainda mais negro, tem levado ao aumento do consumo e do investimento, o que naturalmente favorece a economia, cujos indicadores de crescimento atuais apontam para uma surpreendente subida.

J.A. – Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este Governo em exercício?

P.J.- Na sequência da análise que fiz sobre a situação política atual, julgo que a as novas medidas são positivas. No entanto, agradava-me que as mesmas fossem mais longe, mas também compreendo que existem entraves vindo de Bruxelas.

J.A. – Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adotar, de futuro, para minimizar tais calamidade?

P.J.- A nossa freguesia está integrada no tecido urbano da cidade de Barcelos e, por isso, não foi afetada com o drama dos incêndios florestais. No entanto, o nosso concelho possui um vasto património florestal e, por isso, foi bastante fustigado.

Quanto às medidas a tomar para evitar tais calamidades, elas passam pela prevenção com a limpeza das matas, pela especialização dos agentes de combate a incêndios e pela sensibilização da sociedade para os terríveis danos ecológicos com repercussões para a nossa saúde e principalmente para a saúde das gerações vindouras, visto que a grande maioria dos incêndios florestais têm mão criminosa humana, pois,(ironia à parte), às 4 horas da madrugada, em lugares ermos e quase inacessíveis, não há sol a incidir sobre o fundo de uma garrafa abandonada, não há piqueniques com churrasco, não há foguetes de festas, não há fumadores incautos, etc…

J.A. –Em seu entender acha que as forças militarizadas deveriam estar preparadas para ocorrerem a estas situações?

P.J.- As forças militarizadas certamente que são sempre úteis para ajudar a combater este flagelo, apesar de não ser esta a sua especialidade, mas, em tempo de paz,entendo que podem ser úteis a combater este flagelo que é um problema global da humanidade, porque, afinal, todos vivemos neste excelso Planeta tão maltratado pela exagerada ganância das classes dominantes.

J.A. – O aumento do desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.- Estamos preocupados e atentos a situações de maior carência económica na freguesia. Por isso, temos vindo a monitorizar algumas famílias, entre outras que vão surgindo a pedirem ajuda à Junta de Freguesia. O executivo da Junta é composto por 5 elementos e, todos nós, somos conscientes e sensíveis a este drama das famílias carenciadas, principalmente quando existem crianças e idosos, razão pela qual todos dedicamos grande parte do nosso tempo aos problemas sociais, aliás, uma grande fatia do nosso orçamento é vai para esta área.

J.A. – O que pensa sobre a violência doméstica que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.- Este drama certamente não passa ao lado desta grande freguesia. Esta matéria tem diversas origens, umas mais preponderantes e outras menos. Julgo que a primeira causa tem a ver com a falta de meios financeiros para fazer face às despesas correntes da família, associados ao desemprego e ao débil nível cultural, alcoolismo e drogas, levando as pessoas a entrarem em stress que, por sua vez, leva ao descontrolo do sistema nervoso até à violência descontrolada. Depois existem outras causas menos preponderantes, mas mais violentas, que chegam ao homicídio, como por exemplo, questões de ciúmes.

Quanto aos efeitos nefastos da violência doméstica, julgo que, deste grande drama, as situações mais dramáticas são aquelas onde existem crianças que crescem num cenário de terror com repercussões irreparáveis para as suas vidas adultas.

J.A.–O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.J.- A violência gratuita tem a ver com questões de princípios de educação e cultura. Não é um problema só nosso, é confirmadamente, um problema mundial.

Associado à crise de valores e ao desrespeito pelo próximo, quando envolve vingança, ódio, ganância, vaidade, álcool, drogas, diversões etc., tudo isso, misturado ou separado, leva a situações de violência sem razões aparentes, apenas por questões de humilhação ou de frustração de um ser humano sobreoutro ser humano. Felizmente, ainda há muitos seres humanos no mundo que são solidários com o seu semelhante.

J.A – Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais carenciados?

P.J.- Vemos com muita preocupação o futuro do nosso país, visto que a população envelhece de forma rápida e, ao constatarmos que cada vez mais jovens emigram, naturalmente que a nossa preocupação aumenta, não só por se tratar de jovens carenciados, mas também quando se trata da emigração de jovens quadros formados, alguns deles de alto nível.

Nós, na qualidade de autarcas, obviamente que estamos apreensivos com esta questão, cuja resolução cabe politicamente aos sucessivos Governos, do presente e do futuro, pois este assunto tem sido bastante debatido e já está referenciado como sendo uma questão politica nacional prioritária.

J.A. – Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.- Como já foi referido, as questões de caráter social ocupa grande parte do nosso tempo e orçamento. Portanto, o apoio aos mais idosos está sempre na ordem do dia, através de visitas domiciliárias para monitorização dos idosos mais carenciados e que já não possuem mobilidade e, em geral, para os que possuem alguma mobilidade oferecemos-lhes atividades gratuitas de manutenção física, saúde, lazer, culturais e recreativas.

J.A. – Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.- Esta é a maior Freguesia (em número de habitantes), do maior Concelho do País (em número de Freguesias). Possui cerca de 18.0000 habitantes e 11.000 eleitores. Antes da revolução de Abril de 1974 era uma Freguesia social e economicamente carente, apesar de estar encostada ao Centro Histórico da Cidade de Barcelos, portanto, trata-se de uma Freguesia que faz parte do tecido urbano da Cidade. Na era pós-revolução de Abril de 1974, o Concelho, (tal como todo o País), sofreu um enorme desenvolvimento socioeconómico, devido ao “êxodo rural” para a industria têxtil que se fixou, em grande número, em redor da Cidade. Ora, este fenómeno social tornou Arcozelo o “dormitório da Cidade” e o seu centro comercial, que naquela época atraiu investidores da construção civil, dando origem à construção massiva de forma muito rápida e, por isso, nem sempre foi bem conseguida em termos urbanísticos. No entanto, nesta matéria, também estamos atentos e vamos corrigindo alguns erros e feito manutenção possível dos espaços públicos.

J.A. – Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.- Atendendo ao que vem sendo esclarecido, o leitor logo se apercebe que nos debatemos principalmente com a carência socioeconómica de várias famílias residentes nesta Freguesia.

J.A. – Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.- Outro dos grandes problemas que enfrentamos prende-se com manutenção e beneficiação de diversas infraestruturas e estruturas públicas, com especial incidência sobre o estado dos pavimentos passeios e arruamentos.

J.A. – Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.- Por sermos uma freguesia estruturante, bastante consolidada e dinâmica, creio que temos um futuro prometedor.

J.A. – Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.- Como se sabe, as receitas das Juntas de Freguesias são muitíssimo reduzidas, apesar de serem as mais procuradas pelas suas populações por serem autarquias de proximidade. Por isso, só gastam o que podem e não o necessário, razão pela qual a situação financeira de qualquer junta de freguesia em sempre débil. No entanto, dentro dessa debilidade as nossas contas estão equilibradas.

J.A. – Qual o apoio que a Câmara presta às Juntas de freguesia?

P.J.- Para além do apoio pontual, consoante os projetos realistas apresentados pelas Juntas de Freguesia, a Câmara fez um excelente protocolo com todas as Juntas do Concelho, que permite receberem 200% do proveniente do FFF vindo do Estado, o que acabou por desafogar um pouco as finanças das Freguesias, permitindo-lhes mais investimento público e um maior equilíbrio das suas contas correntes.

J.A. –Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.- O envolvimento e relacionamento que a população tem com esta autarquia é excelente, pois são sempre atendidos com dedicação e os seus problemas vão sendo resolvidos sempre que possível. Este excelente relacionamento por um lado orgulha-nos, mas, por outro lado, o excesso de confiança por parte da população é de tal forma que a leva a algum comodismo e, por isso, acabam, infelizmente, por não aparecerem nas Assembleias de Freguesia para debaterem os seus problemas e os da Freguesia.

J.A. – Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.- A mensagem é simples; Para combater os problemas sociais, económicos e urbanísticos da nossa Freguesia, não basta contarem com a dedicação deste e certamente dos próximos executivos da Junta. É muito importante e necessária a vossa participação, colaboração e ideias. Apareçam nas Assembleias de Freguesia para o debate. Juntos podemos fazer sempre melhor.

J.A. – Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.- De facto, a nossa família é a principal “vítima” da nossa dedicação à Freguesia. No entanto, por aquilo que sei, eu e todo o excelente executivo conseguem ter famílias excelentes porque todos sabem a forma de a compensar.

J.A. – Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.- Em nome de todo o executivo da Junta de Freguesia de Arcozelo – BCL, deixo, aqui, uma mensagem louvor e apreço ao Jornal das Autarquias, por reconhecermos a sua utilidade no sentido da divulgação dos anseios e preocupações das autarquias e na troca de ideias e experiências entre elas, com enorme utilidade para a aquisição de conhecimentos que servirão certamente para beneficiar o serviço público que os autarcas se comprometem a honrar.

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