Julho 2016 - Nº 105 - I Série - Aveiro e Viseu - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Aveiro e Viseu
 

Texto de opinião do Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira e da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria

Emídio Sousa

 

Terras de Santa Maria exige mais atenção do Governo

A Região do Entre Douro e Vouga, a que gosto de chamar Região da Terra de Santa Maria – mais de acordo com a sua origem histórica – é uma das mais exportadoras de Portugal. Tem um PIB per capita, em termos de Região Norte, apenas superado pelo Grande Porto; o maior nível de rendimento/produtividade desta região; cerca de 30 mil empresas, em que mais de 50% da riqueza gerada é via exportações, que representam um valor de mais de 2 mil milhões de euros; mais de 300 mil habitantes.

Estes são indicadores macroeconómicos que só por si obrigariam os nossos governantes a olhar com mais atenção para esta região. Não me canso de repetir o que há alguns anos alguém disse sobre a Terra de Santa Maria: se Portugal fosse o espelho desta região, tinha um PIB igual ao da Suíça.

Estes sinais e estes elogios são corretos e justos, mas não alteram a realidade. Continuamos a ser uma espécie de parente pobre da Área Metropolitana do Porto. Ainda recentemente, isso ficou bem patente na distribuição dos fundos comunitários para as autarquias.

Como Presidente da Câmara de Santa Maria da Feira e da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, que representa 5 municípios (Santa Maria da Feira, São João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Arouca e Vale Cambra) não pouparei nas palavras para exigir um reforço do investimento público nas infraestruturas ferroviárias e rodoviárias (com a via Feira – Arouca à cabeça) que permita uma rápida ligação ao Porto, ao aeroporto Francisco Sá Carneiro e ao Porto de Leixões.

A contribuição desta Região para a riqueza e o emprego nacional, pelo dinamismo dos seus empresários e a produtividade dos seus trabalhadores, exige que seja feita justiça e que se mobilizem os recursos financeiros necessários para as obras infraestruturais que melhorem a mobilidade dos agentes económicos desta região.

A economia regional e a qualidade de vida das pessoas reclamam essa atenção e necessidade. Na Associação de Municípios das Terras de Santa Maria há um grande consenso e solidariedade sobre este tema, pelo que não deixarei que ele caia no esquecimento.

Junto do Governo e das entidades públicas responsáveis, não descansarei enquanto não vir resultados visíveis desta justa e incontornável reivindicação. Independentemente dos nossos interesses locais ou partidários, temos de pugnar por projetos de mobilidade regional decisivos para a competitividade das empresas desta região e para a qualidade de vida de mais de 300 mil pessoas que aqui vivem.

Esperamos que o Governo de Portugal tenha bem presente a justeza desta reivindicação. Queremos ser parceiros de pleno direito e considerados na Área Metropolitana do Porto. A dinâmica do nosso tecido económico e industrial justifica-o e exige-o.

É tempo de olhar para a frente e para o futuro. Ninguém ganha nada sozinho. É tempo de pensar em termos de área metropolitana e em termos de região. É tempo de união entre todos os agentes desta região, políticos, empresariais, institucionais, etc. Os desafios que se nos colocam só podem ser vencidos se remarmos todos para o mesmo lado e se falarmos a uma só voz.

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