Julho 2016 - Nº 105 - I Série - Aveiro e Viseu - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Aveiro e Viseu
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de São Cipriano

Aires Carlos Ferreira

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-Primeiro não foi a que os portugueses escolheram, segundo estamos a ser governados ou desgovernados, por gente que quando pega no leme sempre deixa o barco meter água ou o atiram ao fundo.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-São medidas que só nos levam à desgraça e à pobreza. Reparem no meu concelho ultimamente, fecharam o tribunal, o centro de saúde, depois abriram o centro de saúde, mas as despesas com médicos é suportada pelo município. Agora abrem novamente o tribunal para criarem um, no máximo dois postos de trabalho. A seguir fecham o Externato D. Afonso Henriques e mandam cerca de quarenta empregados para a rua. Será que anda tudo doido ou querem acabar com os municípios mais pobres? Certeza eu tenho, vergonhoso.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-Não está a resolver problemas alguns. Primeiro porque temos um presidente de câmara medíocre, trabalha só a meio tempo ainda lhe sobra tempo para dar consultas na Santa Casa da Misericórdia, não conhece o Concelho, não conhece as necessidades das pessoas e pouco se preocupa visto vivermos no extremo do distrito de Viseu, do distrito de vila real e para que não bastasse ainda nos empurram para outro extremo Tâmega e Sousa. Local a que nos identificamos. Para quê, porquê?

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-A causa é a falta de trabalho, de emprego e a consequente falta de dinheiro, reduzindo a estabilidade familiar. Porque antes do 25 de abril, em casa normalmente só o homem é que trabalhava e tinha a obrigação de dar o sustento à casa, à mulher competia-lhe tratar da casa e dos filhos e respeitar esta linha familiar para o qual faziam um acordo religioso. Nessa altura já havia violência doméstica mas predominava o respeito, e o medo. Porque a mulher era o elo mais fraco, tinha de se humildar e até calar. Hoje a situação é diferente, pois trabalham os dois, têm o seu ordenado, têm de dividir tarefas e é mais fácil. O problema é quando há desentendimento. Por norma vem o descontrole, que é falta de respeito, humildade, educação e o desrespeito pelo próximo.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Na minha opinião a emigração sempre existiu desde à muitos anos atrás, só o que os mais velhos não confiam muito nos jovens, acontece que preferem ter no ativo os reformados e enquanto assim pensarem, os jovens vão obrigatoriamente continuar a emigrar.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.-Como bons cidadãos e seguindo a doutrina que nos ensinaram, devemos ajudar o próximo, não nos esquecendo e conforme reza a história, à muitos anos atrás, tivemos de fazer o mesmo.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-A junta De Freguesia de S. cipriano passou a estar aberta todos os dias aproveitando um estagiário para dar mais proximidade a todos os habitantes em especial aos mais idosos e aos mais necessitados, em várias situações tais como: Pedido de tarifa social, alteração de contratos de fornecimento de energia, preenchimento de IRS, pedidos de isenção de IMI, visita domiciliaria a idosos com apoio do CLDS, apoio aos alcoólicos, pedido de alimentos e apoio para os mais carenciados, ajuda em pagamentos e compromissos mensais (protocolo com o RLIS)., formações profissionais com o apoio de IEFP de vila real e Amarante, formações para aplicação de fitofármacos e outras actividades e apoios.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-Somos uma freguesia virada para a cultura. Temos duas bandas de música, a “Velha” e a “Nova”, dois ranchos folclóricos, um grupo de música tradicional portuguesa e um grupo de baile. Vivemos numa terra e que diz o ditado que “ quando nasce um bebé encostamo-lo à parede, se ele se segurar vai ser trolha, se cair vai ser músico com certeza absoluta” também se diz que na nossa terra “quando nasce um moço, nasce um músico”. Então por estes motivos todos, fizemos um pedido de registo de marca nacional ao INPI, que o qual foi aceite. A partir de agora S.Cipriano Resende passou a ter o registo de marca “Aldeia da Musica”.

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Falta de apoio do município para com a freguesia e às nossas associações.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-Saneamento básico para toda a freguesia, arranjo da Casa do Povo (extensão de saúde) porque foi uma casa que foi oferecida por uma família (Monteiro) e não paga com o dinheiro dos nossos impostos, no mínimo o que poderiam fazer seria arranjar a casa para que os pudéssemos homenagear, e a Casa da Torre da Lagariça “Ilustre casa de Ramires” embora seja de uma família é pena que as entidades públicas não se preocupem com o desmoronar de um monumento que é o orgulho dos S. Ciprianenses e esperar que a política/políticos do nosso município mudem, ou as mentalidades.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-As perspectivas são continuar a trabalhar, a dar tudo por eles, recorrendo ao bom senso São Ciprianense e espera que a politica/políticos do nosso município mudem, ou então as mentalidades.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Vivemos com o dinheiro que nos é dado pelo Fundo de Financiamento das Freguesias (2400) os “restinhos” do IMI (700) é a grande esmola do município (4300) com estas verbas não é possível fazer muito mais.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-O apoio do município á minha freguesia é muito restrito ou seja é pouco ou quase nada, visto não sermos da mesma cor e não representarmos o mesmo partido político. “Quem está com eles come, quem não está cheira” as verbas são muito poucas e não há qualquer tipo de acompanhamento por parte do município. Temos de fazer das tripas coração para que seja possível obter alguns resultados.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-Colaboração e afecto a todos os S. Ciprianenses para com a Junta de Freguesia e de todas as associações integrantes, pelo indiscutível trabalho e valioso contributo que, incessantemente, ano após ano, com as dificuldades a que cada associação assiste, tem dado no desenvolvimento e enriquecimento cultural da nossa terra. Levando além Concelho e fronteiras, ostentando com orgulho os seus estandartes com o nome da freguesia a que eu presido, S. Cipriano – RSD “Aldeia da Musica”. Com estas associações temos organizado variadíssimas actividades: 2 semanas culturais, 2 estágios nacionais de orquestra (que contaram com a presença de vários músicos do país e estrangeiro) e variadas actividades culturais que se têm desenvolvido no centro cultural de S. Cipriano – RSD ou em outros locais da freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-Sou presidente da Junta de Freguesia de São Cipriano com imenso orgulho. É um papel muito exigente e de grande responsabilidade. Desculpem a ousadia, mas tenho de vos dizer com toda a humildade: é um estatuto que nao está ao alcance de qualquer um. É preciso ter vocação e gostar muito de abraçar tão nobre e tão digna missão. A nossa missão vai desde a resolução de um problema prático ao acompanhamento atento da dinâmica social e cultural da Freguesia, à interacção de outras freguesias e colegas, ao nosso contributo na elaboração de políticas estratégicas para o nosso concelho no seu todo, ou a uma simples conversa com um conterrâneo sobre um assunto de foro pessoal. A interacção permanente e saber ouvir, são fundamentais. Vou continuar a trabalhar com todo o afinco, porque são todos os São Ciprianenses quem me motivam e me dão força para continuar a dar o meu máximo e fazer o meu melhor dia – após - dia.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Não posso deixar de expressar, também, uma palavra de apreço, muito sentida à minha família, a toda a equipa que me acompanha diariamente e a todos os S. Ciprianenses. Com certeza que sem a ajuda e o apoio desta gente nada conseguiria fazer.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Que divulguem tudo de bom e mau que se passa no nosso país, em especial nos nossos distritos e concelhos. No mínimo um muito obrigado pelo cuidado em nos contactar e que sejam sempre bem sucedidos. Obrigado.

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