Julho 2016 - Nº 105 - I Série - Aveiro e Viseu - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Aveiro e Viseu
 

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul

Vítor Manuel de Almeida Figueiredo

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?

P.C.-Os tempos mais próximos não serão fáceis, mas o futuro faz-se caminhando e este governo está a tentar criar todas as condições para que os portugueses acreditem que o seu futuro e das gerações que se lhe sucedem sejam melhores.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.C.-Este governo está a governar para as pessoas e a restituir aos portugueses a esperança num futuro melhor, implementando medidas que possibilitem que os portugueses melhorem o seu rendimento familiar e assim fazer a economia mexer. Sabemos que Portugal não é um caso isolado, mas com uma atitude de diálogo permanente entre os vários quadrantes políticos e com as instituições europeias acredito que o feedback vai ser bom e colher frutos a curto prazo.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.C.-O problema do desemprego é transversal e S. Pedro do Sul não foge ao mesmo. O Município atento a esta situação tenta dentro do possível referenciar os casos que aparecem o mais possível no seu início, prestando todo o apoio necessário, seja de uma forma direta ou indireta. Indiretamente temos estabelecido algumas parcerias, nomeadamente na distribuição pontual de bens alimentares e encaminhamento de situações para entidades parceiras, dentro da rede social. Diretamente temos isentado alguns munícipes do pagamento de determinadas taxas ou serviços, de acordo com os relatórios técnicos dos serviços de ação social, e criámos projetos vocacionados para a melhoria das condições de vida das pessoas com mais dificuldades.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.C.-A violência domestica não é um caso novo, sempre existiu, se bem que ultimamente e também pelo enfoque que a comunicação social dá a este assunto assume proporções mais públicas. A situação frágil das famílias e os poucos recursos disponíveis, aliadas a problemas de desemprego potencializam este fenómeno.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.C.-Os nossos jovens recém-formados vêm na emigração a única possibilidade de se iniciarem na vida ativa. Se por um lado, pode ser entendido como um reconhecimento das suas competências, por outro é uma pena que o País invista tanto na formação dos nossos jovens e depois não esteja preparado para assimilar esses jovens no mercado de trabalho interno. Poderemos no futuro estar com um novo problema que é a sustentabilidade da segurança social ao nível da reforma, pois não havendo gente a trabalhar, não se fazem descontos e como tal não existe receita para fazer face às despesas.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.C.-O Município desde o início mostrou disponibilidade de receber alguns refugiados, contudo as condições que dispõe e os espaços são limitados e, normalmente estão disponíveis para acolher situações sociais quer sejam elas familiares ou de origem de situações de catástrofe, que felizmente são mínimas e pontuais.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.C.-No âmbito da ação social, disponibilizamos vários serviços aos munícipes carenciados, especialmente aos idosos, tais como a Oficina Domiciliária que tem como objetivo resolver/consertar pequenas avarias/estragos nas suas habitações,  fisioterapia ao domicílio e nas IPSS, aulas de desporto coletivo às pessoas com mais de 55 anos através do projeto “Desporto sem Idade” e ainda o projeto “Vizinho Solidário” com o intuito de combater o isolamento em que alguns idosos vivem. Para a população com idade superior a 55 anos o Município organiza a Universidade Sénior, com várias disciplinas como teatro, culinária, jardinagem, música, informática, inglês, artes decorativas, ioga, natação, entre outras, para as pessoas interessadas e mediante inscrição.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese do seu concelho.

P.C.-S. Pedro do Sul é um concelho que se situa em pleno vale de Lafões, no coração da Beira Alta, emoldurada pelos maciços das serras da Arada, Gralheira e S. Macário, e encravada na bacia hidrográfica do Rio Vouga. A cidade de S. Pedro do Sul localiza-se na parte sul do concelho e situa-se aproximadamente a 20 km de Viseu, 100 km de Coimbra e Porto e a cerca de 300 km de Lisboa. Com 348 km2 de área e aproximadamente 17.000 habitantes (censos de 2011), o concelho detém uma posição privilegiada nesta região devido à sua centralidade face à capital de distrito, ao importante núcleo das Termas que é tão só o maior centro Termal da Península Ibérica.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?

P.C.-Existem vários, mas o que considero mais urgente é a fraca cobertura de saneamento básico do concelho. Assim, este executivo tem estado empenhado em resolver este problema, nomeadamente com a candidatura para a requalificação da ETAR, assim como a construção de fossas e rede de esgotos em várias freguesias do concelho.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.C.-Num concelho vocacionado para o turismo é deveras importante que o saneamento básico estar resolvido, para que assim a autarquia se possa centrar noutros projetos fulcrais para o desenvolvimento municipal. Também a cobertura total de abastecimento de água, em qualidade e em quantidade, em todo o concelho é importante, neste âmbito o Município está a realizar o cadastro das redes existentes e a substituir as condutas mais antigas.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?

P.C.-Pretendo continuar empenhado em melhorar o dia-a-dia das populações e apostar no desenvolvimento económico do concelho. Para tal pensamos a médio prazo ter resolvido o problema do saneamento básico da maioria da população, e também tentar combater o desemprego, criando novos postos de trabalho com a construção do novo parque empresarial de Pindelo dos Milagres. Achamos que este novo Parque, pela sua localização, irá ser uma mais-valia para cativar novos empresários e fixá-los no concelho.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.C.-Recebemos uma dívida de 26 milhões de euros do anterior executivo, no entanto já conseguimos abater 7 milhões. De qualquer forma temos consciência que continuamos na corda bamba. Daí continuarmos a fazer uma gestão criteriosa e responsável para criar condições para realizar obras indispensáveis no Município.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.C.-Não é o apoio que desejaria, mas derivado aos fundos negativos que a autarquia possui, a ajuda prestada é ao nível de cedência de materiais e equipamentos, em parcerias que vamos tentando levar a cabo com todas as freguesias.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.C.-O Município apela sempre aos cidadãos que se envolvam nos projetos lançados, seja ao nível da cultura, do desporto, ou outros, tendo registado um gradual aumento da participação nessas iniciativas.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?

P.C.-Esta autarquia vai continuar apostada em melhorar o quotidiano dos seus munícipes com a responsabilidade de tornar S. Pedro do Sul um concelho com mais qualidade de vida, mais ação social e mais sustentabilidade económica.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.C.-É extremamente complicado conciliar a vida de autarca e a vida familiar, uma vez que sou muito exigente e vivo com grande responsabilidade as minhas funções, com vontade de fazer mais e melhor. Mas a família é a minha grande âncora, onde nos poucos momentos que estamos juntos consigo recarregar as baterias.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.C.-O Jornal das Autarquias é um meio de comunicação que dá a conhecer o trabalho autárquico e a realidade das diferentes regiões do País. Desejo votos de muito sucesso e continuação do bom serviço de divulgação.

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