Agosto 2016 - Nº 106 - I Série - Algarve - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Algarve
 

Entrevista do Presidente da Junta de Freguesia de Santa Luzia

Carlos Alberto Pires Rodrigues

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.-É sempre complicado opinar sobre as politicas sejam elas quais forem, no entanto a minha é uma opinião de esperança, que a austeridade chegue rapidamente ao fim de forma a que estabilidade regresse às famílias Portuguesas acima de tudo, àquelas que ficaram completamente destroçadas com a crise a que grande parte dos portugueses estiveram e estão sujeitos.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-Embora a situação tenha parcialmente evoluido para melhor em determinados aspetos do dia-a-dia, ainda não teve grande impacto nas classes média e familias mais desfavorecidas, as pessoas exijem que se cumpram rapidamente as promessas eleitorais mas, no entanto penso que temos de ter alguma prudência, e ter a esperança de não se vão repetir os graves erros de um passado muito recente.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-Infelizmente temos vindo a assistir a um crescendo significativo de cada vez mais

Famílias a passar por graves dificuldades de subsistência, uma vez que mais de 60% da população vive e depende da pesca do polvo, molusco que ultimamente tem escasseado, o que juntando ás dificuldades financeiras inerentes à crise que se instalou no País em geral torna cada vez mais difícil a já débil qualidade de vida dos Santaluzienses.

Em articulação com a Câmara Municipal de Tavira, e algumas instituições de Solidariedade Social, tem-nos permitido minimizar e ir resolvendo algumas situações mais graves com que nos vamos deparando.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-A violência doméstica é um problema social, que atinge indiscriminadamente, homens, mulheres ou crianças, Tendo em consideração que este flagelo não escolhe estratos sociais nem etnias, religiões culturas, torna-se complicado controlar e combater, esta cada vez maior calamidade.

Felizmente na nossa freguesia não temos tido muitos casos de violência doméstica e os que chegam ao nosso conhecimento, são imediatamente reportados à CPCJ de Tavira

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-O Anterior, Primeiro-ministro deste País, sugeriu ou aconselhou em tempos os nossos jovens a emigrar,…

Tendo em consideração que nós pais investimos na formação dos nossos filhos, que os jovens são o garante do futuro, não aceito de forma nenhuma que outros Países aproveitem as capacidades dos nossos filhos em vez de ser Portugal a usufruir delas.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.J.-Completamente favorável à aceitação de refugiados no nosso País, desde que a situação de todos os Portugueses que vivem nas ruas e com dificuldades de emprego, alimentação e vestuário seja resolvida em primeiro lugar, este País não pode ser melhor padrasto do que pai,

Com o nosso espirito solidário, deveremos criar condições de enquadramento para os refugiados, entanto acho que deverão presistir as nossos leis e regras.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-O executivo desta autarquia, criou um Gabinete de Apoio à Família e tem vindo a ajudar a população em geral, mas acima de tudo os idosos, com atividades, físicas em parceria com a Câmara Municipal de Tavira, com os programas desportivos “Viva Mais” e “Põe-te a mexer”, promovem-se também alguns eventos de cariz cultural, recreativo e religioso, em parceria com as Associações, Clube e Comunidade Religiosa da terra.

Em parceria com a Cruz Vermelha Portuguesa Núcleo de Tavira, e a Câmara Municipal de Tavira, criamos um Posto de Saúde Comunitário, onde são ministrados todos os tratamentos de enfermagem, e oftalmológicos, em termos de apoios na alimentação a Conferência S. Vicente de Paulos, mensalmente faz a distribuição de alimentos para confeccionar por várias famílias da Vila, bem como a Casa do Povo da Luz de Tavira procede à distribuição de refeições confeccionadas, também por algumas famílias com graves problemas de caráter económico.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese da sua freguesia.

P.J.-A Freguesia de Santa Luzia, ergue-se perante os azuis do céu e do mar, com 850 hectares, esta é a freguesia mais pequena do concelho e tem 1.455 habitantes. Situada a cerca de 2 quilómetros de Tavira, esta vila carrega na sua essência os costumes e saberes das gentes do mar.

De acordo com os registos, Santa Luzia nasceu em 1577, por iniciativa dos pescadores, quando estes edificaram uma ermida dedicada a uma santa com o mesmo nome, mártir siciliana e protetora dos que sofrem dos olhos. Santa Luzia tornou-se, assim, a padroeira da freguesia.

A história da vila esteve sempre ligada ao mar. Inicialmente através da pesca por xávegas e anzol e, a partir de 1842 até meados do século XX, com o aparecimento da armação do Barril, por intermédio do copejo do atum. A partir de 1927, os pescadores começaram a dedicar-se à pesca do polvo com alcatruzes e covos, tal facto contribuiu para que, Santa Luzia seja considerada a "capital do polvo".

Anos mais tarde, mais concretamente, a 29 de dezembro de 1984, esta povoação, anteriormente integrada na freguesia de Santiago, foi elevada a sede de freguesia, tendo-se tornado Vila, pela lei 80/99 de 30 de Junho, publicada em D.R. nº 150 de 30 de Junho de 1999.

Hoje, ainda de natureza piscatória, esta freguesia vive, também, da aposta no turismo, com alojamento, restaurantes e praias de qualidade. Designada como a "capital do polvo", Santa Luzia proporciona a todos os seus visitantes verdadeiros momentos de harmonia e bem-estar.

O que visitar?

Igreja Matriz de Santa Luzia, Antiga Armação do Atum, Cemitério de Ancoras, Ria Formosa, Porto de Pesca, Rampa dos Pescadores, no Aldeamento Turístico Pedras d’el Rei a Oliveira Bimilenária e as praias do Barril e Terra Estreita

J.A.-Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.-Esta freguesia, tem várias carências e a necessidade de 2 ou 3 grandes projetos, mas tenho a noção de que essas ambições podem não se concretizar facilmente, e passo a enumerar talvez por ordem de prioridades, a construção de uma Extensão de Saúde, Habitação Social, e uma Residência para Idosos. Sei que vai ser difícil cumprir e transformar estes sonhos em realidade, mas resta-me trabalhar, no sentido de convencer as entidades competentes a investir para uma melhor qualidade de vida e bem-estar desta população.  

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-A urgente e incontornável necessidade da construção de um edifício adaptado, para a reabertura da extensão de saúde e a colocação do médico de família na freguesia.

A dragagem urgente da ria e do Porto de Pesca com a colocação das portas há tanto prometidas pela Docapesca, a fim de evitar furtos que têm vindo a acontecer com alguma frequência.

A construção de habitação Social e ou a custos controlados, será a forma de evitar a desertificação por parte dos jovens Santaluzienses, que procuram noutras paragens um mercado imobiliário mais de acordo com os seus rendimentos, uma vez que o mesmo em santa Luzia se encontra bastante inflacionado. Adaptação e criação de estruturas desportivas, onde se inclua além do arrelvamento sintético, uma pista de atletismo, caixa de saltos e de lançamentos, a fim de podermos dar as mínimas condições ao único Clube que representa o nosso Concelho no Futebol de 11 e o mais representativo no atletismo, e por fim a atribuição de uma sede social à Associação Lais de Guia, Associação sem fins lucrativos, e com um conteúdo funcional único no Concelho e talvez no Algarve, virado para a investigação do Património Marítimo, quer a nível do nosso Concelho como de toda a Região.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.-Sinceramente o futuro é uma incógnita sou otimista, se assim não fosse nunca me recandidataria mais uma vez a Presidente da freguesia de Santa Luzia, na minha opinião este Executivo vai continuar a pugnar por uma melhor qualidade de vida dos seus fregueses, é para eles que trabalhamos e esse é o nosso principal objetivo.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Em termos financeiros esta autarquia, já viveu melhores dias, neste momento somos uma entidade sem dívidas e não tendo uma boa situação financeira, temos uma situação estável, racionalizada e sustentada.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-Com a publicação da Lei 75/2013, as freguesias, algumas freguesias sofreram cortes consideráveis nas verbas que vinham recebendo do estado bem como ao abrigo dos protocolos de competências com as Câmaras Municipais, alem desses cortes, as competências, ao contrário das verbas aumentaram em excesso, Como é o caso desta freguesia.

No entanto e ao abrigo dos protocolos de competências e administrativo, entre esta

Freguesia e a Câmara Municipal de Tavira, o apoio prestado tanto financeiro como

logístico está dentro do previsto.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-O Executivo desta Autarquia, bem procura a participação e o envolvimento da população em geral, nos projetos que nos propomos realizar, no entanto, apenas alguns jovens, manifestam algum interesse em participar ativamente, tanto na apresentação de ideias para a realização desses projetos, como o seu envolvimento enquanto os mesmos se realizam, não impondo quaisquer limites. Entendemos que a participação ativa de todos os que se querem envolver nas nossas iniciativas, é fundamental para o desenvolvimento futuro da nossa Freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.-Os Santaluzienses conhecem-nos e sabem do que somos capazes, não lhes vendemos ilusões, não prometemos o impossível, entramos com objetivos claros e definidos, e contribuímos para o presente, com esperança e otimismo num futuro melhor.
Amigos Santaluzienses, continuem a acreditar em nós, o que fazemos por vós, é para vós, Estamos a trabalhar, pensando em vocês, em prol de uma freguesia mais competitiva, solidária e diferenciadora, vamos “FAZER DE CADA DIA, UM NOVO DIA”.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Essa é, garantidamente, a mais difícil das gestões, quando vim para a vida pública, sabia que me ia sujeitar a ter de prescindir de grande parte do tempo que anteriormente dedicava à família, que no meio disto tudo é aquela que mais sofre, muitas vezes tenho que prescindir do conforto do lar, para poder dar resposta a todas as solicitações, mas, também tenho o privilegio de a minha família, aceitar e entender as minhas funções e deveres inerentes ao cargo que desempenho.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Tive a honra e o privilégio de conhecer o Jornal das Autarquias em 2011, O meu sentimento, em relação ao mesmo, é de inteira satisfação, agradecer-vos pelo convite para colaborar convosco, Trata-se de uma mais-valia para todos os intervenientes na vida das Autarquias.

Desejo-vos as maiores felicidades e sucessos futuros, continuação de bom trabalho.

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