Agosto 2016 - Nº 106 - I Série - Algarve - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Algarve
 

Entrevista da Presidente da Câmara Municipal de Silves

Rosa Cristina Gonçalves da Palma

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?

P.C.-O acordo parlamentar entre os partidos da esquerda foi uma lufada de ar fresco na política portuguesa, evitou que a direita se perpetuasse no poder e prosseguisse com a sua agenda de destruição acelerada do Estado Social e da economia.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.C.-As medidas do governo são positivas no âmbito da recuperação de salários, pensões e outros direitos sociais, invertendo-se o ciclo das políticas austeritárias e da mercantilização dos bens públicos. É positivo também que se ponha a tónica no crescimento económico em vez da aposta cega na austeridade e na submissão convicta aos círculos dirigentes da União Europeia.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.C.-Primeiro que tudo é preciso clarificar que o problema da pobreza não é passível de resolução ao nível do poder local, sendo de natureza macro e consequência da ausência de crescimento económico e das políticas de cariz neoliberais que geraram desemprego e a desestruturação das famílias. O Município de Silves no quadro das suas competências e no âmbito das suas políticas na área social, na educação, habitação, transportes … tem adotado medidas de apoio (comparticipação nos passes escolares dos cursos profissionais e CEF, bolsas de estudo, ação social escolar, obras em habitações sociais, ações de formação para desempregados, transportes de pessoas com deficiência, etc) que mitigam algumas dificuldades das famílias. Está para breve a entrada em vigor de um Regulamento de Apoios Sociais que alargará a intervenção do município.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.C.-Trata-se de um fenómeno característico da sociedade egoísta em que vivemos, que estimula e promove o individualismo, o feiticismo do dinheiro e os interesses, em detrimento dos valores e dos princípios da justiça e da solidariedade. O modo de vida, os problemas sociais, a pobreza, o desemprego, a des(educação, as doenças, etc, fazem decerto parte do rol das causas. Importa prevenir e punir.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.C.-Lamentavelmente, o estado a que o país chegou, empurrou os portugueses, sobretudo, os jovens e os mais qualificados para a emigração, na procura de emprego e melhores condições de vida. O desenvolvimento do país necessita de gente jovem e qualificada.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.C.-O país deve receber os refugiados desde que lhes consiga dar condições dignas de vida e de trabalho, sendo justo que o faça, em nome da solidariedade humana.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.C.-A autarquia desenvolve algumas medidas de apoio, como por exemplo, a implementação dos pólos de educação ao longo da vida, a cedência de transportes para deslocações periódicas ou os serviços prestados através da Unidade Móvel de Saúde.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese do seu concelho.

P.C.-O concelho abrange uma grande área territorial, é o 2.º maior do Algarve, indo desde a Serra ao Mar. Na sua estrutura produtiva, a hortofruticultura e os citrinos ocupam um papel importante, embora, a maior parte da população ativa se concentre nos serviços (comércio, restauração, hotelaria, educação, saúde, administração pública). O património histórico-cultural do concelho é relevante, sendo uma aposta do município, num quadro de relação entre cultura, património e turismo que vai sendo potenciada.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?

P.C.-O concelho necessita de mais investimento produtivo e actividade empresarial, por forma a gerar mais emprego e fixar a população.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.C.-A melhoria dos cuidados primários de saúde e acesso a assistência hospitalar.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?

P.C.-Trabalhamos para a obtenção de maiores níveis de desenvolvimento socioeconómico e maior coesão territorial, dotando o concelho de melhores infraestruturas, numa perspetiva de desenvolvimento sustentável. Consideramos que o concelho de Silves será mais competitivo e atrativo no futuro.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.C.-A situação financeira tem vindo a reequilibrar-se, encontrando-se em níveis satisfatórios e relativamente desafogada. O maior problema com que se debate é a concentração do serviço da dívida durante o atual mandato autárquico (70% do total), que condiciona uma maior capacidade de investimento e realização.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.C.-O Município de Silves estabeleceu acordos de delegação de competência extensíveis ao mandato autárquico, consubstanciados na transferência de um “bolo financeiro”. Além disto, o Município de Silves colabora de forma articulada e ativa com as freguesias na resolução de inúmeros problemas que afetam as populações, indo muito além dos referidos acordos.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.C.-O município promove a cidadania ativa e a relação com os munícipes através de várias formas: audiências semanais nos paços do concelho e encontros periódicos nas freguesias, participação em reuniões de câmara e assembleias municipais, envolvimento através do processo do orçamento participativo, etc.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?

P.C.-Apelo a uma maior participação na vida autárquica, que os cidadãos se interessem e tomem conhecimento da actividade municipal, envolvendo-se de forma crítica, consciente e construtiva, partilhando responsabilidades.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.C.-É muito difícil conciliar o total empenhamento na vida autárquica com as responsabilidades no seio familiar que inevitavelmente saem a perder. Mas não há volta a dar.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.C.-Quero elogiar e valorizar o trabalho que é feito na divulgação da atividade autárquica. É fundamental que a comunicação social informe os cidadãos do importante e decisivo papel que o poder local desempenha na melhoria da vida das populações.

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