Agosto 2016 - Nº 106 - I Série - Algarve - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Algarve
 

Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Faro

Rogério Bacalhau

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política actual?

P.C.- Há um Governo em exercício, legitimamente designado. Compete-lhe implementar o seu programa de actuação. No final veremos que resultados nos traz esta mudança paradigmática e que leitura fazem os Portugueses dela.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.C.- Como em tudo, devemos esperar para ver. Há um cuidado em devolver liquidez às famílias e aos pensionistas, e é bom que assim seja. Espero, no entanto, que os sinais negativos que nos são dados pela evolução da dívida pública não venham a comprovar que a estratégia está errada e que, afinal, vamos necessitar de mais uma cura de austeridade. As famílias e as empresas não iriam aguentar.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido numdos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia agerir esse problema?

P.C.- O aumento do desemprego obrigou-nos a alocar mais recursos para a ação social, procurando corresponder ao que se nos pede com o apoio da rede social do concelho. Felizmente, os últimos boletins do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) já indiciamuma queda do número de desempregados. O Algarve e Faro não são excepção e registam mesmo a queda mais acentuada (menos 17,7%). Tal deve-se ao robustecimento do factor turístico, que tem beneficiado de bons anos e à capacitação do tecido empresarial das cidades que parecem ter acordado para o fenómeno.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentadodrasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.C.- A falta de valores familiares sólidos em detrimento de um materialismo cada vez mais dominante enfraqueceu os laços de união e de respeito entre todos. Com a crise vieram novas dificuldades, a incerteza e algum desespero. Por isso se agravou o quadro de conflitualidade social e no seio das famílias. Espero que um eventual desagravamento da situação financeira das famílias traga temperança e harmonia para todos.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os maiscredenciados?

P.C.- Nunca é bom observarmos a saída dos nossos melhores valores, formados nas nossas escolas, e que pouco acabam por contribuir para o desenvolvimento da comunidade. Contudo, vivemos num espaço globalizado, pelo que as oportunidades cresceram exponencialmente e isso é bom. O que é preciso é que o país continue a criar oportunidades no seu espaço territorial e que depois cada um possa fazer a sua escolha.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a aceitação de refugiados?

P.C.- É um assunto a merecer a mais séria reflexão. Como europeus, herdeiros de uma matriz civilizacional de humanismo e generosidade, é nossa obrigação fazermos tudo para auxiliar aqueles que estão pior que nós, independentemente da nacionalidade, raça ou credo. No que diz respeito a Faro, a rede social está a corresponder e tem acolhido já alguns refugiados, essencialmente do Médio Oriente e África Subsaariana.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.C.- Criámos um gabinete específico para a Terceira Idade que trabalha em articulação com a rede social do concelho e procura acompanhar os casos mais flagrantes, encaminhando-os para a resposta social adequada ou para as autoridades, quando é caso disso. Os resultados têm sido muito satisfatórios. Mas Faro tem também as associações, as casas do povo e os grupos informais que são imprescindíveis no apoio às franjas mais envelhecidas e socialmente mais fragilizadas. O Município procura apoiar o seu trabalho e estabelecer parcerias com todas elas.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese do seu concelho.

P.C.- Faro é a capital administrativa do Algarve e uma cidade universitária por excelência. O concelho tem uma forte percentagem dos seus 64.500 habitantes empregados nos serviços públicos e no comércio, mas é também relevante o peso da sua economia agrícola e, muito naturalmente, todas as atividades relacionadas com o mar e com o turismo. Neste aspeto, Faro tem assistido nos últimos anos a um crescimento exponencial do seu número de visitantes, que aproveitam a existência de rotas regulares para o Aeroporto Internacional para conhecerem os encantos que a cidade oferece, únicos no cenário envolvente. A este nível destacam-se as grandes riquezas patrimoniais, culturais e a nossa gastronomia, que é única no mundo.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?

P.C.- Neste momento, o estado das estradas e caminhos, que não tinha investimento direto da autarquia há mais de dez anos, é o maior problema que temos identificado. Com o resgate das finanças e da credibilidade da autarquia, começámos a projetar um conjunto de intervenções que dará resolução a estas limitações. Muitas obras estão concluídas e outras virão, para cidade e freguesias.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.C.- Falta de recursos humanos para assegurar funcionalidade em alguns serviços da autarquia, como a manutenção dos espaços verdes.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?

P.C.- São risonhas. Faro é, unanimemente considerada a cidade com maior potencial de futuro a diversos níveis – científico, empresarial, turístico, cultural e até de ambiente urbano.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.C.- Bastante melhor. Dou três exemplos. A dívida total do Município cifra-se hoje no valor mais baixo dos últimos dez anos: 42,88 milhões de euros,menos 40 por cento do que há 5 anos atrás;o Município não tem atrasos nos pagamentos a fornecedores – em 2009, o prazo médio de pagamento era de 453 dias; finalmente, temos uma taxa de execução orçamental historicamente elevada – 98,80%. Penso que o esforço tem valido a pena e esta recuperação já se faz sentir nas obras que temos realizado e nas medidas de desenvolvimento que temos tomado.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.C.- Hoje esse apoio faz-se essencialmente a partir da transferência de competências para as Freguesias. No dia-a-dia colaboramos com elas de forma a ir resolvendo as questões que vão surgindo. Damos ainda todo o apoio logístico nas suas iniciativas, no trabalho de voluntariado social em pequenas obras, novas ou de manutenção. Este ano ainda, fruto do desagravamento da situação financeira da Câmara, conseguimos duplicar o valor dos apoios para reparação de caminhos, que agora está nos 250 mil euros.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.C.- Felizmente, os Farenses têm uma perspetiva muito informada sobre o que os rodeia, o que nos ajuda a priorizar as decisões. E não prescindimos de ir ao seu encontro, com os atendimentos decentralizados, em todas as quatro freguesias do concelho, nas localidades mais remotas e nos bairros. Temos também mantido um atendimento mensal regular nas redes sociais, respondendo eu a todas as questões que nos são colocadas pelos nossos munícipes.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?

P.C.- Apenas que conto com todos para fazer de Faro a grande Capital com que todos sonhamos. Uma cidade onde possamos ser cada vez mais felizes e onde nos sintamos cada vez mais como em nossa casa.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.C.- Nestas funções, a família fica sempre muito prejudicada. Mas sabia para o que vinha e nesta matéria, conto com toda a compreensão e apoio da minha mulher e filhos.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.C.- Votos de continuação do bom trabalho na divulgação dos projectos das autarquias.

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