Setembro 2016 - Nº 107 - I Série - Alentejo - Inscrito no ERC sob o nº 125290  
Alentejo
 

Entrevista do Presidente da Câmara Municipal de Gavião

José Fernando da Silva Pio

 

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?

P.J.-Depois de 4 anos de um governo insensível aos problemas sociais, negligente para com os portugueses e submisso à “Troika”, prova-se hoje diariamente que havia outro caminho. Um caminho que o Governo do Partido Socialista com o apoio da maioria de esquerda na Assembleia da República, está a saber trilhar. O atual governo tem sabido corrigir os erros cometidos nos últimos 4 anos, é inegável que o país está a avançar, com menos desemprego, mais justiça social, mais investimento público e privado, mais coesão territorial.

Portugal e as suas gentes voltaram a ter razões para acreditar.

A “Geringonça” idealizada por António Costa e por ele comandada está a pouco e pouco a devolver a esperança aos portugueses.

J.A.-Que pensa sobre as novas medidas anunciadas por este governo em exercício?

P.J.-Concordo na generalidade com todas as medidas postas em prática ou já anunciadas pelo atual governo.

Enquanto presidente de um município do interior de Portugal, com todas as vicissitudes que a interioridade acarreta, sinto que o meu concelho hoje tem melhores condições e melhores interlocutores na política nacional para se poder afirmar como parte integrante do território nacional, com os mesmos direitos dos concelhos da faixa litoral.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.-O aumento do desemprego no concelho de Gavião não foi a principal causa geradora de pobreza. A diminuição e mesmo o fim de muitos apoios sociais, no anterior governo, foram decisivos para um aumento das situações de pobreza com que ainda hoje nos debatemos. No caso de Gavião e através do gabinete de ação social conseguimos apoiar os mais necessitados, no custo da água, nos custos de ambulância, nos transportes para consultas médicas, em pequenas reparações em habitações, também e em articulação com as Instituições Particulares de Solidariedade, encaminhamos os mais necessitados para as Cantinas Sociais ou para o Banco Alimentar.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.J.-Eu penso que a violência doméstica não aumentou, apenas os órgãos de comunicação social hoje noticiam mais os casos existentes e as próprias vítimas estão mais despertas para a situação e queixam-se às autoridades.

Em pleno Século XXI é inadmissível que tal aconteça, a moldura penal devia ser agravada e as vítimas deviam estar devidamente salvaguardadas dos agressores.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.-Hoje a emigração é o menor dos males, vivemos num mundo global, tão longe e tão perto, o que me choca é que a geração de jovens mais bem preparados pelos nossos estabelecimentos de ensino, tenha sido obrigada a emigrar pelo anterior governo, delapidando de forma criminosa, aquilo que temos de melhor que é o capital humano.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.-De entre outros saliento a criação do Cartão do Idoso que proporciona redução da água a 50% do custo, a redução dos custos de ambulância também a 50%, e a existência de uma equipa multidisciplinar para pequenas reparações em casa. Também e através do Gabinete de Ação Social do Município existe uma parceria com a Universidade Sénior espaço de convívio de excelência para os menos jovens com aulas de música, culinária, bordados, costura, dança, teatro, informática, hidroginástica. Para além disso é proporcionado a todos os seniores anualmente uma viagem que lhes permita conhecer melhor o nosso país.

J.A.-Pedimos que nos faça uma síntese do seu concelho.

P.J.-Situado ao extremo do Norte Alentejano, é por excelência o único concelho que abraça as duas margens do Rio Tejo pela freguesia de Belver. O Concelho insere-se no Distrito de Portalegre (Alentejo) e insere-se na sub-região do Alto-Alentejo. É composto por quatro freguesias: União das Freguesias de Gavião e Atalaia, Belver, Margem e Comenda.

Nos dias de hoje, o Concelho de Gavião dedica-se a uma economia virada para a agricultura, pecuária e pequena indústria, aliada a estes setores está a sua geografia muito diversificada e contrastante. A este contraste de paisagens multifacetadas há, no entanto, uma homogeneidade de alma humana: as gentes são de boa feição e de sublime beleza nos afetos.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?

P.J.-A interioridade, a desertificação, a falta de emprego e o envelhecimento progressivo das nossas populações.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.-É fundamental para o desenvolvimento sustentado do concelho de Gavião o aparecimento de algumas empresas com capacidade empregadora. Possuímos uma zona industrial onde os terrenos são praticamente oferecidos, devidamente infraestruturados, mas nem assim conseguimos fixar empresários. O apoio da administração central é fundamental e a criação de incentivos à fixação no interior tem de ser uma realidade.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?

P.J.-Afirmar a qualidade de vida, criar as condições necessárias para inverter a tendência da desertificação e da redução drástica da população sobretudo jovem.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.-Com uma situação financeira bastante estável, sem dívidas e com os pagamentos a serem feitos a menos de 30 dias, temos grandes objetivos com o recurso indispensável a candidaturas ao Portugal 2020, algumas já em pleno desenvolvimento.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.-A Câmara Municipal está sempre disponível para prestar todo o apoio às Juntas de Freguesia, sabendo que o objetivo comum que nos une é o bem-estar dos nossos Munícipes.

J.A.-Que tipo de envolvimento a população tem com a autarquia?

P.J.-Foi lema da nossa candidatura autárquica “Um Presidente Perto de Si” e é assim que temos pautado a nossa atuação. Sempre presentes, sempre prontos a ouvir e a tentar resolver os problemas dos nossos concidadãos. Estamos atentos, saberemos aproveitar as oportunidades que nos surgirem e gostamos que as populações exprimam as suas opiniões. A democracia é tanto melhor quanto mais pessoas estiverem envolvidas no processo de decisão. Esta é a nossa filosofia e sentimos que as nossas populações têm percebido a nossa mensagem e estão cada vez mais envolvidas e interessadas no dia-a-dia do seu concelho.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?

P.J.-Como já perceberam, mantemo-nos fiéis ao nosso compromisso eleitoral. Temos como primeira prioridade as pessoas, a exclusão social, e o apoio ao desemprego. Somos ambiciosos e estamos confiantes que com a ajuda de todos conseguiremos ultrapassar todos os obstáculos. Somos audazes nas propostas e determinados na sua defesa. Queremos um concelho dinâmico e preparado para os desafios da modernidade. Queremos mais e melhor concelho de Gavião.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.-Esta é talvez a pergunta mais difícil de todas as que me foram feitas. Acredite que não é fácil de gerir. Estou na vida política por gosto, estou porque que quero e os meus concidadãos me elegeram, mas obviamente esta é uma vida totalmente diferente daquela que estava habituado. Absorvente, desafiante e com tudo isto é obviamente a vida familiar que sai mais prejudicada. Felizmente que tenho a sorte de ter uma esposa extremamente compreensiva e umas filhas que mesmo longe, estão sempre a meu lado.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.-Em primeiro lugar quero agradecer a possibilidade que me foi dada de participar no Jornal das Autarquias, podendo ao mesmo tempo falar da realidade do meu concelho das expetativas, das dificuldades, dos projetos e até de algumas desilusões.

De seguida uma felicitação especial pela divulgação que fazem do mundo autárquico, não esquecendo nunca os municípios mais desfavorecidos e de menor dimensão.

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