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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Entrevista a Herman José - Humorista e apresentador

Herman José

J.A. - De toda uma carreira recheada de êxitos, algumas vezes com momentos menos bons, quer-nos destacar o que, a nível pessoal, o marcou mais?
H.J. - Os momentos especiais são tantos ao longo destes quase 35 anos de carreira, que, a enumerá-los, precisávamos de uma separata de muitas páginas. No entanto,  se tivesse de escolher três momentos, escolheria o paladar do êxito fulminante do meu programa "Tal Canal" em 1982 (e que vai ser lançado em DVD em Setembro), o facto de ter sido a primeira vítima de censura, catorze anos depois do 25 de Abril, com o programa "Humor de Perdição", e a minha condecoração com a ordem do mérito cultural no ano de 1992, pelas mãos do meu presidente / ídolo de sempre: Mário Soares.

J.A. - Na região de Setúbal, onde reside, que gostaria de ver concretizado e que melhorasse o nível de vida da população?
H.J. - Para ser completamente sincero, a região de Setúbal passou, de há muitos anos para cá, a ocupar o terceiro lugar na "pole postion" dos meus lugares de residência. Passo a maior parte do meu tempo entre Lisboa e Vilamoura, o que não me dá autoridade para opinar sobre a região. No entanto, penso que o maior drama da "margem sul" é paisagístico. Há um certo caos urbanístico,  contra o qual todos temos de lutar, até porque a luz e o sentido de humor a sul do Tejo,  tão mais intensos do que a norte, bem merecem mais respeito e atenção !

J.A. - Sei que nasceu na Alemanha. O nascimento nesse país teve influências positivas quer a nível pessoal quer a nível profissional?
H.J. - Lamento desmentir-vos mais uma vez... Nasci em Lisboa, na já extinta Clínica Bensaúde, às 21 horas de dia 19 de Março de 1954. Optei em 1972 pela nacionalidade alemã, já que sou filho de um cidadão alemão. Tinha projectos de pedir a minha nacionalidade portuguesa quando apagasse as cinquenta velas, mas, é justamente nesse ano, que descubro com espanto que vivia numa democracia disfuncional, onde, um estado dentro do Estado, dispõe a seu bel-prazer dos cidadãos de discurso mais "incómodo" que o critique e o ponha em causa.  O orgulho no meu passaporte alemão consolidou-se, e só considero pedir a nacionalidade portuguesa, quando tiver provas de que Portugal é um Estado de Direito pleno.  O governo Sócrates tem feito algum esforço nesse sentido, mas há um longo caminho pela frente. Salazar deixou uma herança muito bem estruturada e difícil de desmontar.  

J.A. - Todos nós temos muito poucos amigos. Quantas vezes sofremos desilusões com alguns falsos amigos. A amizade tem muita importância para si?
H.J. - Sou como o Alexandre Herculano: "quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais..." Mas, mesmo assim, tenho a felicidade de ter coleccionado alguns bons amigos, que são as estacas emocionais sobre as quais assentam as fundações da minha felicidade. Não sou fundamentalista. Ao longo dos anos, tem entrado e saído muita gente da minha vida, e - tirando um amigo da onça e a mulher que aliviaram as minhas empresas em 1.3 milhões de Euros - não me posso queixar. O balanço é fortemente positivo. A minha melhor amiga, continua a ser a minha mãe.

J.A. - Quando o poderemos ver, de novo, na televisão?
H.J. - Era para regressar em força, na SIC, em Setembro, naquele que considero "o programa dos meus sonhos". Não posso ainda adiantar pormenores, mas posso avançar que vai ser feito num sítio especial, e que funcionará como continuação de mim próprio. Teremos também uma componente itinerante, que me permitirá contactar de perto com as gentes de todo o País, mas devido ao programa que irá surgir já no próximo dia 20 de Maio, “CHAMAR A MÚSICA”, aprovado em tempo recorde, os restantes projectos que estavam previstos para Setembro foram protelados para o inicio do próximo ano.

J.A. - O Jornal das Autarquias é um jornal que trabalha para as autarquias, sempre a custo zero. É um jornal “on-line” que pode ser consultado em www.jornaldasautarquias.pt . Que pensa deste projecto?
H.J. - Todos os projectos que combatam o centralismo, e que com seriedade informem e formem as populações, são bem-vindos. É nitidamente o caso do Jornal das Autarquias. Uma longa e próspera vida é o que vos desejo!

O Jornal das Autarquias agradece  a disponibilidade dispensada por Herman José.

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