logo  

JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Entrevista a Elsa Raposo - Modelo e apresentadora

Elsa Raposo

J.A.- Nasceu em Angola, adora Lisboa, no entanto, tem uma paixão pelo Distrito de Castelo Branco. Estou correcto?
E.R.- Sim...a minha mãe, só por uma questão de segurança, veio sempre à Metrópole para os partos dos 3 mais velhos, eu e mais dois rapazes, meus irmãos claro. As minhas irmãs nasceram já, anos mais tarde, em Macau. O que conta, e é sentido profundamente, é que, neste caso, é onde de facto fomos criados, e os primeiros anos de nossas vidas são fundamentais. Digo sempre que sou Angolana. E´ um registo interno muito forte, a minha matriz espiritual encontra - se em África...
Adoro o encanto de Lisboa e a sua magnifica luz. Castelo Branco é a cidade berço do meu pai, embora tenha vindo para Lisboa estudar para o colégio militar. O meu avô Joaquim era militar também. No entanto, não esqueço os "curtos" meses de Setembro, passando também por Penamacor. Tenho belas memórias das vindimas...dos amigos...da apanha da azeitona...belo azeite que sempre há em casa, do belíssimo cheiro do alambique da aguardente...maravilhoso!
Os meus filhos, a minha família, todos os anos passamos por lá com direito a um tempo nas termas de Monfortinho.

J.A.-Uma vez que conhece bem esse distrito, diga-me, por favor, quais os problemas e qualidades que encontra na região?
E.R.- Os aspectos positivos da região (Beira Interior): Acessibilidades_ com a abertura da auto-estrada A23 Castelo Branco ficou a 1:50m da capital de Lisboa ( cerca de 225km),a 1:45m de Coimbra (150km) .Isto permite considerar uma zona de influência para negócios extremamente alargada, uma vez que se torna relativamente fácil escoar os produtos, quer para o mercado nacional quer para o mercado espanhol.
As cidades de média dimensão, caso de Castelo Branco (50.000 habitantes) e Covilhã ( cerca de 37.500 habitantes) permitem uma boa qualidade de vida que não é possível nas grandes metrópoles. Castelo Branco juntamente com a cidade de Viseu, foram as duas cidades que apresentaram maiores índices de desenvolvimento e crescimento “per capita” de todo o país.
O distrito possui duas instituições de Ensino Superior, a Universidade da Beira Interior e o Instituto Politécnico de Castelo Branco, com cinco escolas superiores. Os cursos vão desde a Medicina, Engenharias, Gestão e Artes, entre outros.
A oferta cultural no distrito é também já muito alargada. Em C. Branco existem 6 salas de cinema e 7 anfiteatros. Os espectáculos no remodelado Cine -Teatro Avenida têm uma periodicidade semanal e as exposições são constantes.

J.A.-Que medidas acha que deveriam ser tomadas para que se desenvolvessem esta e outras regiões do interior?
E.R.- O desenvolvimento das regiões do interior do país está directamente dependente da capacidade de escoamento dos produtos que nela existem e vice-versa.
Com o aumento exponencial dos impostos, das tarifas de combustível e com a tão falada implementação de portagens na auto-estrada A23, originalmente uma sem-custos para o utilizador (SCUT), as industrias e os serviços da região vêm-se a braços com dificuldades tremendas que não existiam há 2 ou 3 anos atrás...

J.A.- De momento vive no estrangeiro. No entanto, nunca irá esquecer o nosso País, assim como nós nunca a esqueceremos, sendo esta entrevista uma prova disso. O que gostaria de dizer aos nossos leitores e ao público português, em geral?
E.R.- De facto, sempre me lembro de Portugal e sempre lembrarei. Embora tenha passado os primeiros anos entre África e Ásia, sou Portuguesa. Estou grata por ter reconhecido a oportunidade de conhecer outros países de expressão lusófona mas também de ter a oportunidade de conhecer tantos outros países. Os meus pais adoravam viajar, assim como eu...Isso, por um lado, me legou um sentimento mais universal da minha identidade, mais aberto, mais curioso, por outro reforçou o respeito e o carinho pelo meu país e seu legado cultural e civisional. Contacto com esse legado diariamente.

J.A.- Tem acompanhado com certeza a crise que se instalou em Portugal. Dê-me a sua opinião e o que acha que deveria ser alterado para minimizar esta crise?
E.R.- Podemos ser pequenos e periféricos mas ainda assim ser bons naquilo que fazemos ou podemos fazer. Portugal é um país com boas condições nos campos do turismo, do ambiente, energias renováveis, do desporto e lazer, de História,da diplomacia ao mais alto nível, e de indústria tecnológica, investigação e inovação. Temos grandes tradições em alguns destes campos e nos outros começamos a ter bastante visibilidade internacional. Há factores de globalização nunca irá nem pode, nos retirar. São esses que devemos incentivar a desenvolver. Por outro lado, cada um de nós, individualmente e em colectivo deve mentalizar se em evoluir sustentadamente passo-a-passo, e libertar se da tentação do conforto rápido, que tem um preço alto a pagar no futuro. Palavra de ordem: Equilíbrio. Individualmente e colectivamente.

J.A.-O que nos tem a dizer sobre a recente reportagem da revista Flash?
E.R.- Sempre respeitei todos os jornalistas, não entendo porque razões não me respeitam a mim, uma vez que sem confirmarem a notícia, conseguem publicar um rol de falsidades, que, como compreende, já dei indicações ao meu advogado para agir em conformidade.

J.A.- Já visitou o nosso jornal, qual a sua opinião?
E.R.- Gosto do resultado do vosso trabalho. Acho que é muito interessante e informativo. Jornalismo feito com o cuidado e profissionalismo que os leitores agradecem. Obrigada. Parabéns!

J.A.-Por último, para também satisfazer a curiosidade de alguns leitores, diga-nos, é uma mulher feliz no momento?
E.R.- Só posso responder que sou uma pessoa feliz. Sempre fui. Os momentos menos felizes são para serem vividos com a mesmo " tempo" de um momento de alegria.
As emoções são dispersas mas ambas têm o seu lugar, a sua própria beleza.
Em ambas as circunstâncias, felizes ou mesmo menos felizes, são sempre momentos de união, de ternura, de compreensão, de pureza, de compaixão e partilha.
Tenho saúde, uma família maravilhosa, os melhores amigos do mundo...só posso acordar todos os dias e adormecer agradecendo por fazer parte de uma caminhada cheia de "presentes" que não mais do que momentos simples, vividos com amor e verdade. Ganhei, desde sempre, um poder maravilhoso, um exercício de todos os dias ter Fé. Eu acredito!

Go top