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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Julho 2017 - Nº 117 - I Série - Setúbal

Setúbal

Rui Canas

Entrevista ao Presidente da União das Freguesias de Setúbal

Rui Canas

Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

Apesar do grosso da situação de crise não estar ultrapassada, antes pelo contrário, os principais traços ainda se mantêm, vislumbrando-se atualmente um inverter do caminho com alguns passos dados no sentido da melhoria de vida das pessoas, da recuperação de diretos e do poder de compra.

Qual a sua opinião sobre o Orçamento de Estado para 2017?

Apesar do orçamento trazer melhorias referenciadas na pergunta anteriores, temos ainda a registar problemas como a falta de investimento público necessário e a falta de resposta a situações urgentes que o Estado continua a não responder, como na área da saúde, educação e administração.

Sendo esta região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adotar, de futuro, para minimizar tais calamidades?

Setúbal é de certeza um dos concelhos onde a incidência de incêndios é mínima. Tal se deve a uma política correta de prevenção e de meios na área da Proteção Civil.

O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

O problema da pobreza é fomentado pelas políticas em geral. As juntas de freguesia não têm qualquer competência de resposta a este problema. Apesar disso, procurámos atender os mais carenciados e, conforme os problemas, encaminhá-los para as soluções que o Estado e a Sociedade Civil disponibilizam para a resposta aos mesmos. Temos tido a preocupação de conhecer este problema, as suas diversas valências, tendo a própria junta de freguesia criado em rede e em parceria um projeto de Loja Social e de outras respostas, como o atendimento personalizado e as visitas domiciliarias para casos que o justificam.

O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente no nosso país, e qual a causa/efeito?

A violência, seja ela doméstica ou de outra natureza, tem tendência a aumentar em situações de crise, desregulação familiar e de carência económica, como desemprego. Perante esta realidade a estabilidade é ameaçada na vida das pessoas. Aí se justifica o aumento deste tipo de violência.

O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

São fatores induzidos pela comunicação global, pela facilidade do acesso a esta comunicação, nomeadamente dos públicos vulneraríeis, crianças e jovens, e que será combatida apenas com políticas que dignifiquem os valores humanos da solidariedade e fraternidade entre as pessoas.

Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

Obviamente que procuram noutros países aquilo que não encontram em Portugal: saídas profissionais, valorização, situações de fuga à precariedade. São fundamentalmente estas as razões que levam os jovens mais credenciados a procurar outros rumos.

A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?

Em Setúbal não temos sentido qualquer tipo de celeuma em relação aos refugiados. Somos uma cidade que desde sempre se habituou a receber gentes de outras regiões, países e culturas. Somos uma cidade inclusiva e, como tal, a população não manifesta este tipo de problemas.

Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

A União das Freguesias de Setúbal presta vários apoios, nomeadamente às suas instituições, associações e outras, bem como um conjunto de atividades que desenvolvemos ao longo de todo o ano, através dos dois Centros Comunitários que temos no território. É também disponibilizado um conjunto de propostas, principalmente nas comemorações do Mês do Idoso, em que desenvolvemos especificamente um programa de atividades com esta faixa etária.

Qual o maior problema com que esta freguesia se debate?

A união das freguesias de setúbal é uma autarquia recente que em outubro completa quatro anos de existência. Provém da agregação das freguesias de Santa Maria da Graça, São Julião e Nossa Senhora da Anunciada. Problemas tem com certeza, mas também tem procurado dar respostas aos mesmos. Talvez o problema maior seja a dimensão da freguesia, representando cerca de 65 por cento da área urbana de setúbal, com cerca de 46 mil habitantes.

Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

A recuperação e regeneração do centro histórico da cidade, a recuperação de alguns bairros (como o Bairro dos Pescadores ou o Bairro Grito do Povo) que têm neste momento uma infraestrutura antiquada e desadaptada em relação às necessidades das populações. São talvez estes os problemas maiores.

Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?

Existem perspetivas de um futuro risonho, com projetos de grande desenvolvimento para a zona ribeirinha, requalificação e criação de novos espaços verdes, como o novo espaço verde da Várzea, e a requalificação de equipamentos públicos que, juntamente com outras medidas de projeção da cidade, tem comprovado a dinâmica crescente de recuperação do centro histórico, de atração de mais turistas e investimento e de procura de Setúbal como cidade para viver e investir.

Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

Uma mensagem de grande confiança no futuro deste território e de Setúbal. Com certeza vai existir uma dignificação da nossa cidade, pelo qual esta população sente cada vez mais orgulho em pertencer, sem descaracterizar a sua identidade, o seu modo de estar e de viver. Os setubalenses acreditam numa vida melhor, num futuro próximo.

Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

Com muita dificuldade, atendendo às exigentes necessidades de uma autarquia como esta que claramente afeta a vida familiar. Mas há esforços e sacrifícios que valem a pena.

Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

Uma mensagem de felicidade e de sucesso para o futuro, bem como de desenvolvimento do projeto e que continuem a prestigiar as autarquias, nomeadamente as juntas de freguesia enquanto órgão de poder mais próximo das populações e que, como tal, tem o seu pulsar no dia-a-dia.

O Presidente da União das Freguesias de Setúbal,

Rui Canas

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