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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Julho 2017 - Nº 117 - I Série - Setúbal

Setúbal

Álvaro Beijinha

Entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém

Álvaro Beijinha

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?

P.C.-É uma situação política que se apresenta mais estável em relação à anterior legislatura. Reconhecemos melhorias em algumas matérias, mas questões no âmbito do investimento público ainda deixam um pouco a desejar.

J.A.-Qual a sua opinião sobre o orçamento de Estado para 2017?

P.C.-Naquilo que são as responsabilidades do Estado, tais como investimentos na saúde, infraestruturas públicas, escolas, arruamentos, etc estão muito aquém daquilo que são as necessidades das populações. No que diz respeito ao financiamento das autarquias, o Orçamento de Estado continua a não cumprir a Lei das Finanças Locais.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?

P.C.-Felizmente, no nosso concelho, temos passado um pouco ao lado dessas calamidades.

Procuramos apostar na prevenção, envolvendo todas as entidades com responsabilidades no terreno, trabalhando numa estreita parceria durante todo o ano.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.C.-Acompanhamos com grande preocupação essa situação. Uma das nossas apostas, neste mandato, teve precisamente a ver com as actividades económicas e com o empreendedorismo. Temos tomado várias medidas que incentivam ao investimento e que, em primeira instância, para além de conferirem riqueza desenvolvimento económico ao Município, visam a criação de emprego e a reversão dos números ao nível da carência económica.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?

P.C.-É um flagelo que é transversal a toda a sociedade, desde os mais ricos, passando pela classe média, até aos mais pobres. O nosso trabalho tem sido no sentido de unir esforços entre a Administração Central, a Administração Local, as entidades que operam no território e também vários organismos da administração central, para que, em conjunto, possamos dar uma resposta que é muito importante.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.C.-É a face mais negra destas novas gerações. É um problema social e comportamental complexo. Está relacionado, em primeira instância, com um acompanhamento deficiente por parte dos pais. A correria do dia-a-dia que é característica dos nossos tempos deixa pouco tempo para a transmissão de princípios básicos aos filhos. E depois há todo um contexto global, potenciado pelo surgimento das redes sociais, que parece instigar à prática dessa violência gratuita. É uma questão muito complexa e à qual urge dar resposta.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.C.-É uma das faces mais visíveis de anos e anos de um constante desinvestimento e de políticas desadequadas nos sectores da edução e do emprego, que só agora começam a recuperar algum terreno. Quando se chega ao ponto do anterior Primeiro-Ministro de Portugal aconselhar os nossos jovens – mão de obra qualificada e mais-valias inquestionáveis para o País - a emigrar, julgo que é o reconhecimento mais evidente das políticas desastrosas dos últimos anos nesta área. Felizmente, nesta fase, há sinais positivos. Mas ainda há um longo caminho a percorrer.

J.A.-A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?

P.C.-Estes movimentos migratórios e de imigrantes são autênticas fugas à pobreza, à guerra e à morte. As centenas de milhar de seres humanos e de famílias inteiras que arriscam a vida em luta pela sua sobrevivência carregam consigo histórias dramáticas de vida. O seu inalienável direito à vida e à dignidade é um princípio basilar consagrado na Carta das Nações Unidas. Deverão ser intensificadas as medidas para dar o devido acolhimento a refugiados e imigrantes, em todos os países com condições para recebê-los.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.C.-A população sénior tem tido, já há vários anos, um acompanhamento especial da nossa parte.

Entendemos que a sua sabedoria e legado pessoal e profissional pode ser muito importante para as gerações mais jovens. Por outro lado, quem já deu tanto ao Concelho, merece da nossa parte todo o carinho que conseguirmos proporcionar. Para além da proximidade e acompanhamento do nosso Serviço de Ação Social a situações particulares, temos também uma articulação muito próxima com as instituições de idosos, reformados e pensionistas do Concelho, com quem trabalhamos em conjunto e que apoiamos das mais variadas formas, nomeadamente no apoio a equipamentos de cariz social. Temos projectos específicos para os nossos idosos, tanto na área sociocultural, como desportiva.

J.A.-Qual o maior problema com que esse concelho se debate?

P.C.-A questão do emprego é aquela que mais nos preocupa e na qual concentramos mais esforços. Importa criar condições para a fixação de empresas, bem como estímulos para “agarrar” os jovens ao seu Concelho, para que possa ser este território a beneficiar da sua sabedoria e vontade de trabalhar.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.C.-Neste momento, as áreas mais sensíveis são ao nível da Saúde, com o atraso por parte do Governo em alargar as urgências do Hospital do Litoral Alentejo e com lacunas nos Centros e Extensões de Saúde, ainda que alguns estejam em vias de resolução, com intervenções programadas. Outro problema prende-se com as vias de comunicação, que são fundamentais para o desenvolvimento económico do Concelho e da Região, com a consequente criação de emprego e maior fixação de jovens “filhos da terra”. A área do turismo – atendendo à nossa localização e à aposta que está a ser feito numa perspectiva regional – também tem de ser uma área a apostar.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do concelho?

P.C.-Santiago do Cacém tem um grande potencial de crescimento e consolidação futura. A nossa localização privilegiada permite-nos acreditar no desenvolvimento e fixação de empresas de apoio/prestação de serviços ao Complexo Industrial e Portuário de Sines, que serão geradoras de riqueza a vários níveis. Acreditamos numa cada vez maior projecção a nível regional e até nacional. Temos condições para sermos uma referência no turismo, quer seja rural, balnear, ou de natureza. Somos um território atractivo e tudo faremos, ao longo dos anos, para afirmá-lo aos olhos daqueles que cá vivem, dos que nos visitam e dos que cá pretendem investir.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?

P.C.-Melhorou significativamente nos últimos anos, ainda que continuemos a debater-nos com problemas, que decorrem, na sua maioria, dos cortes brutais nas transferências do Orçamento do Estado para as autarquias. No caso da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, falamos de cerca de dois milhões de euros a menos por ano. Reduzimos a dívida da Câmara em cerca de 50%, isto é, cerca de 8,5 milhões de euros. Foi um esforço realizado pela autarquia para equilibrar as contas e reduzir o prazo médio de pagamentos a fornecedores. Não obstante, esta redução da dívida não pôs em causa, nestes quase quatro anos, um conjunto de investimentos e de obras importantes para as populações, que tem vindo a ser efetuado. Não só cumprimos com a lei dos compromissos e reforçamos a nossa credibilidade, como também garantimos capacidade de investimento, sempre com o objetivo de melhorar as condições de vida das nossas populações, com uma política de proximidade que nos caracteriza.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?

P.C.-Temos desde sempre mantido uma relação muito próxima e de grande cooperação com as Juntas de Freguesia. Há protocolos de apoio financeiro e de cooperação a vários níveis, tais como na limpeza urbana, apoio a colectividades, escolas, idosos, etc. Mesmo com a diminuição das transferências do Orçamento do Estado, não diminuímos o apoio financeiro às Juntas de Freguesia.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população do seu concelho?

P.C.-Fundamentalmente uma mensagem de esperança num futuro melhor. E que essa esperança, localmente, assente no reconhecimento do potencial de crescimento que o nosso Concelho tem. Se houver essa consciencialização por parte de todos e se todos remarmos para o mesmo lado, defendendo o nosso Concelho com unhas e dentes, será mais fácil e mais rápido chegar ao nível de desenvolvimento que desejamos.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.C.-A família tem de ficar sempre em 1º lugar. É o que temos de mais importante e que nos acompanha a vida toda. O resto, à partida, é efémero. Claro que é preciso uma grande organização da minha parte e também uma grande compreensão da família para algumas ausências, mas a família “no meio disto tudo”, é o garante fundamental na estabilidade para enfrentar os desafios do dia a dia.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.C.-O Jornal das Autarquias é fundamental para a divulgação de um trabalho ao qual nem sempre é dado o devido valor. O enorme (e cada vez maior) trabalho que as autarquias fazem para melhorar as condições de vida e o bem-estar das populações recolhe do Jornal das Autarquias uma atenção e tratamento que é um verdadeiro e muito útil serviço público. Sem o Poder Local Democrático e o trabalho que é feito diariamente pelas autarquias, até apetece perguntar: o que seria de alguns concelhos e regiões? Estamos – e julgo que todas as autarquias deveriam estar – muito gratos ao Jornal das Autarquias pelo trabalho que tem desenvolvido e aproveitamos a oportunidade para endereçar votos de continuação de bom trabalho e felicidades futuras.

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