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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Agosto 2017 - Nº 118 - I Série - Santarém

Santarém

Américo da Conceição Pereira

Entrevista do Presidente da União de Freguesias de Serra e Junceira

Américo da Conceição Pereira

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?
PUF-Com o nível de incompetência conhecida, tráfico de influências, jogos de interesses e corrupção, o mínimo que se poderá dizer é que a situação política atual encaixa na perfeição no que vem acontecendo nos últimos trinta anos, quando, em bom rigor, estabilizada a democracia deveria acontecer perfeitamente o contrário. De mãos dadas com as sociedades secretas, como a maçonaria, as máquinas partidárias estão dominados por grupos de oportunistas, devidamente organizados, que beneficiando do beneplácito da justiça, esvaziam bancos e acumulam fortunas à custa do erário público, esmifrando os contribuintes e o povo.
J.A.-Qual a sua opinião sobre o orçamento de Estado para 2017?
PUF-Sem grandes benefícios a nível social e depois do empobrecimento geral ocorrido nos últimos anos, as medidas do atual governo assentem que nem uma luva na técnica do engano, com uma mão a dar e outra a tirar. Hipotecado à esquerda radical, sem espaço para “pensar o país”, o governo com as medidas anunciadas pouco ou nada contribuirá para a estabilização social e económica do país; não reverterá o empobrecimento da população; e nada fará para que os que se locupletaram com milhões e milhões de euros, sejamos levados à barra dos tribunais, julgados e condenados a devolverem os valores de que indevidamente se apropriaram.
J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?
PUF-Sem o devido ordenamento da floresta será completamente impossível evitar ou minimizar o volume de incêndios que infelizmente tem vindo a assolado o país. Enquanto o jogo de interesses e o lóbi dos incêndios dominar a “máquina”, desde a proteção civil aos madeireiros, e o governo assobiar para o lado, tragédias como a de Pedrogão Grande continuarão a aparecer com maior ou menor dimensão, até porque a prevenção não dá horas de imagens televisivas e muito menos milhares de euros a atores de terceira categoria que outra coisa não fazem que dar a cara em briefings( quase sempre com base no ouvir dizer), enquanto os esforçados bombeiros enfrentam com valentia as chamas e em muito casos nelas perdem a vida.
Colocar GNR’s a “fingir” de bombeiros (só para garantir umas dezenas de vagas de oficiais), em profunda desigualdade salarial com os soldados da paz, e a proteção civil a dominar o teatro das operações é dar mecha à tocha incendiária e pôr em sobressalto o país de lés a lés.
J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
PUF-Naturalmente com grandes dificuldades. Sem receitas próprios significativos e sem apoio condigno por parte do Estado, não há milagres!
J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
PUF-Associada normalmente ao alcoolismo em meados do século passado, pelo menos na nossa região, rapidamente se foi alastrando para outras áreas e espaços sociais, podendo, talvez, hoje afirmar-se, sem margem de dúvidas, que a violência doméstica é atualmente um problema sério e transversal da sociedade portuguesa. Alavancando-se em múltiplas razões, desde a educação nas escolas, ao stress do dia a dia, á intolerância, às dificuldades económicas e à apologia da violência promovida pelos media, tudo acaba por contribuir para o que muitos já consideram um flagelo social sem antidoto eficaz à vista.
O Estado, como noutros aspetos, pouco ou nada faz para combater esta chaga. E as organizações não estatais, pelo menos a maioria, apenas tem servido para engordar o ego a alguns e o bolso a outros. As vítimas, indefensas como sempre, são geralmente utilizadas como bolas de ping pong entre agressores, polícias, tribunais, associações e instituições, até perecerem às mãos dos agressores.
Sem a justiça funcionar e o estado assumir as suas responsabilidades nunca haverá combate eficaz à violência doméstica.
J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
PUF-Partindo do princípio que nada acontece por acaso, a sociedade só está cada vez mais violenta porque a civilização ocidental se aproxima cada vez mais do colapso. O respeito pelo semelhante quase já é passado. As minorias, utilizando a sua dimensão como tal, depois de esgrimirem o que consideram descriminação a seu jeito, vitimizam-se no colo dos média e á pála disso impõem a sua vontade às maiorias subjugando-as e castrando-as dos seus direitos e garantias. A pirâmide está cada vez mais invertida e a ditadura das minorias destruirá por completo a civilização ocidental nos precisos termos em que hoje a conhecemos.
J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?
PUF-Quando um estado investe milhões de euros na formação de quadros ao nível do que melhor existe no mundo e os “exporta” a custo zero, pouco mais haverá dizer que não seja reconhecer a incapacidade dos nossos políticos para governarem o país. Por muitos menos já vários cidadãos foram condenados e cumpriram penas de prisão de quase uma vida.
J.A.-A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?
PUF-Não sendo uma matéria consensual a nível geral, até pelos interesses a montante, não deixa de ser preocupante face ao drama humanitário que lhe está subjacente. A europa não está preparada para este fluxo migratório e os principais responsáveis, como o Reino Unido, Alemanha, França e Estados Unidos, estão mais preocupados com os aspetos económicos, diretamente ligados à industria e tráfico de armamento, do que com o bem estar daquela gente que nunca, em qualquer circunstância, deveria ter sido obrigada as sair das suas terras.
Portugal não deve fugir às suas responsabilidades enquanto membro da União Europeia, mas em situação alguma poderá esquecer os milhares de portugueses que vivem abaixo do limiar da pobreza.
J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
PUF-Embora reconhecendo que numa ou outra situação nem tudo possa correr pelo melhor, o fato desta União de Freguesias dispor de duas IPSS de razoáveis dimensões, com valências lar (150 camas), centro de dia e apoio domiciliário, e abrangência na ordem dos 250 idosos, a autarquia apenas se limita ao tratamento residual do problema e, mesmo assim, em estreita colaboração com as suas IPSS.
J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
PUF-Começando pelos recursos económicos, manifestamente insuficientes para ultrapassar as necessidades, a carência de equipamentos e outros meios materiais e humanos não nos permite a capacidade de resposta adequada à resolução das situações mais prementes no que concerne a infraestruturas absolutamente indispensáveis, como as redes de distribuição de água domiciliária e de saneamento, em toda a área territorial da União das Freguesias.
J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
PUF-Com cerca de 70 km de arruamentos, estradas e caminhos vicinais em terra batida, dentro e de ligação entre lugares, aliado a deficitária rede de iluminação pública, não restam dúvidas de que a pavimentação da rede viária vicinal e o reforço de luminárias, será a grande prioridade ultrapassadas que sejam as necessidades quanto à distribuição de água domiciliária e ao saneamento.
J.A.-Que perspetivas tem para o futuro do freguesia?
PUF-Sendo uma região de enormes potencialidades turísticas, lúdicas, desportivas e recreativas, por via do que naturalmente a rodeia – albufeiras das barragens do Castelo do Bode e do Carril – tudo aponta para que os passos já dados nessa área possam evoluir exponencialmente de forma a garantir no futuro um empreendedorismo sustentável.
J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
PUF-Com rigor e gestão responsável, apesar dos constrangimentos conhecidos, nada de relevante haverá a assinalar face à inexistência de derrapagens ou desequilíbrios de qualquer ordem. Com as verbas disponíveis, as despesas/investimentos possíveis.
J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
PUF-Cumprindo o que a lei determina no que respeita a estas matérias, a Câmara Municipal de Tomar tem limitado a sua atuação no âmbito dos acordos de execução e interadministrativos que, até agora, tem cumprido integralmente. Embora manifestamente insuficientes face às necessidades, a verbas tem sido disponibilizadas conforme o acordado.
J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
PUF-Só poderá ter futuro, quem olhando o presente não esqueça o passado. A confiança será sempre bom estímulo para que tal aconteça
J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
PUF-Com as dificuldades normais de quem abraça a causa pública com dedicação e férrea vontade de servir só comparáveis ao sacerdócio.
J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
PUF-Que pugne pela verdade e divulgação das boas práticas autárquicas, denunciando o oportunismo, as ilegalidades de que tiver conhecimento e o aproveitamento pessoal de dinheiros públicos por parte de alguns autarcas, quer a nível dos municípios, quer a nível das freguesias.

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