logo  

JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Agosto 2017 - Nº 118 - I Série - Santarém

Santarém

Fernanda Cardigo

Entrevista à Presidente da Junta de Freguesia de Alpiarça

Fernanda Cardigo

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação política atual?
P.J.-O quadro político actual tem conseguido, em certa medida, responder aos anseios legítimos da maioria da população portuguesa, nomeadamente com algumas reversões que, por acção dos últimos governos, muito prejudicaram a economia portuguesa e a vida dos cidadãos, assim como deu origem à reposição de direitos consagrados na Constituição. Deu origem também a uma distensão social na sociedade portuguesa.

J.A.-Qual a sua opinião sobre o orçamento de Estado para 2017?
P.J.-Tal como atrás referimos, houve avanços mas continuamos a pensar que o país continua amarrado a compromissos externos que limitam o desejado desenvolvimento e maior bem-estar das populações.

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?
P.J.-Apenas uma pequena parte do território da freguesia de Alpiarça é ocupada pela floresta e matos. No entanto, quer este órgão, quer a Câmara Municipal, em meados de Maio passado, com o corpo municipal de bombeiros, o serviço de protecção civil, representantes da Autoridade Nacional de Protecção Civil, do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e da GNR, tratou da aplicação do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Florestais (DECIF) 2017 ao nível local e da intervenção dos seus meios.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.J.-A Junta, trabalhando em rede com outras instituições, e em particular com a Câmara Municipal, deu a resposta possível, nunca deixando de ter no horizonte as obrigações constitucionais do Estado português, o qual não deve (nem capacidade para isso temos) ser substituído por Juntas de Freguesia.
J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.J.-A todos os títulos, lamentável. Pensamos que a crise social e económica a que o país foi levado e os ritmos e exigências que a Sociedade actual imprime na vida das pessoas são factores determinantes para esta nódoa na sociedade portuguesa.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.J.-Na resposta à pergunta anterior encontramos também o que penso para esta questão.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?
P.J.-Salvaguardando o desejo legítimo de outras experiências e desafios que jovens e menos jovens têm, os que são obrigados a partir por falta de emprego no seu país, é um desperdício enorme: o investimento feito para a sua formação, a riqueza que deixam de criar e, a nível da demografia, a falta de rejuvenescimento da população portuguesa.

J.A.-A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?
P.J.-Na nossa História e particularmente nas décadas de 60 e 70 muitos foram os portugueses (e tantos alpiarcenses) que abandonaram Portugal por motivos políticos. A maior parte deles, penso, foi bem recebida ou, pelo menos, deixou de ser perseguida. Saibamos agora estar à altura de quem precisa, de quem é perseguido noutras partes do Mundo por motivos políticos, religiosos, de orientação sexual ou étnicos.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.J.-A Junta de Freguesia de Alpiarça, para além de apoio monetários para situações pontuais e de emergência, tem apoiado, no âmbito de um plano mais vasto a famílias em carência socioeconómica,o melhoramento das condições físicas das suas habitações. Tem também implementado programas de combate ao isolamento como o denominado “Novelos & Companhia”, assim como a presidente se vem deslocando periodicamente aos lugares da freguesia para contacto com a população aí residente, em especial esses tais idosos que não se deslocam com facilidade à sede do concelho/freguesia.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.J.-Numa freguesia como a de Alpiarça, a falta de emprego, particularmente para os mais jovens e para os adultos em desemprego de longa duração, é o principal problema.
J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.J.-Os fracos rendimentos de muitas famílias e dos mais idosos levam, por vezes, a situações de vidas difíceis. Daí que desde 2014, com o apoio da Câmara Municipal de Alpiarça e em coordenação com a Rede Social do concelho, se tenha implementado um plano de intervenção em residências muito degradadas de famílias em carência socioeconómica, que já resultou em 15 intervenções
Nestas intervenções pretende-se que os visados contribuam também, sempre que possível, para o esforço que a autarquia realiza (por exemplo, na forma de fornecimento de alguns materiais ou disponibilização de mão-de-obra, como a do próprio beneficiário), permitindo que o auxílio público seja mais valorizado e os recursos humanos e financeiros da Junta possam chegar a mais candidatos a tais ajudas.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.J.-Apesar do importante problema atrás referido e do envelhecimento da população, temos, como é natural, esperança de uma vida melhor para a nossa população. E a esperança atinge-se trabalhando. Vamos candidatar-nos a novo mandato. Se a população de Alpiarça confiar em nós para voltarmos a governar, continuaremos no rumo até agora traçado: trabalhar para que aqui se viva numa sã convivência; reforçar os apoios às famílias em carência socioeconómica; promover as competências dos cidadãos; fazer com que o slogan ‘A Junta Próxima de Si’, onde se insere o ‘Atendimento de Proximidade’, seja uma realidade cada vez mais sentida; apoiar os fregueses nos mais variados actos administrativos como, por exemplo, os programas de apoio à entrega do IRS ou de apoios sociais.
J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.J.-É uma situação financeira perfeitamente equilibrada. Desde o início do nosso mandato tivemos sempre como que um lema: não dar um passo maior do que a perna.
J.A.-Qual o apoio que a câmara presta à junta de freguesia?
P.J.-O relacionamento, foi sempre muito saudável e de mútuo respeito. Trabalhámos sempre para o mesmo lado, com uma grande preocupação de aproveitar bem os parcos recursos humanos e financeiros, para os optimizar. Foi uma estratégia que deu resultado.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.J.-Na Junta há uma equipa que está para servir a população. Uma população, a de Alpiarça, que sempre soube para onde quis ir. E assim deverá continuar a ser. O futuro está nas nossas mãos e ele será muito o que nós quisermos que ele seja.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.J.-Depois de algumas dificuldades no início do mandato, aprendemos a gerir os tempos, a partilhar as tarefas. Achamos que conseguimos dar a resposta devida na autarquia, na família mais próxima – marido e filhos – e no apoio aos mais idosos (mãe e sogro).

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.J.-O Jornal das Autarquias é um importante elo no mundo autárquico, pelo espaço que dá aos autarcas e autarquias, de difusão de experiências. Será ainda mais se conseguir implantar-se para fora desse ambiente, ou seja, chegar com uma voz mais intensa junto da generalidade dos munícipes e fregueses.

Go top