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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Outubro 2017 - Nº 120 - I Série - Coimbra

Coimbra

José Augusto Gomes da Silva Simão

Entrevista ao Presidente da União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas

José Augusto Gomes da Silva Simão

J.A.-Qual a sua opinião sobre a situação politica atual?
P.U.F.- É com muita tristeza que vejo cada vez mais a judicialização do poder local. Não compreendo que a justiça esteja a substituir as instituições que gerem o Poder Local. Imagine-se que a DGAL ou a CCDR digam sim e o juiz diga não. Será que a Lei é para todo o país ou difere de concelho para concelho?

J.A.- Sendo essa região uma das mais fustigadas pelos incêndios, quais as medidas a adoptar, de futuro; para minimizar tais calamidades?
P.U.F.- Seria a dissuasão. As freguesias tomarem posse administrativa dos prédios que não estão limpos de matos e restolhos. Ou os proprietários não poderem negociar a floresta enquanto não pagarem os prejuízos causados pelo fogo. Haveria centenas de soluções, mas a melhor seria mesmo a posse administrativa pelas freguesias.

J.A.-O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando esse concelho inserido num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?
P.U.F.- O desemprego não causa muita miséria, os ordenados baixos é que é o problema. As famílias, mesmo empregadas vivem em grande estado de pobreza. Imagine uma pessoa que ganha 600 euros. Tem de pagar infantário, creche, não tem direito a passe social, tem de pagar taxas moderadoras e até IMI, enquanto um desempregado mesmo recebendo menos, fica com mais dinheiro ao fim do mês.

J.A-O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa/efeito?
P.U.F.- Em casa onde não há pão, todos ralham e não tem razão. Se um indivíduo não tem nada no frigorífico, já lhe cortaram água e luz… qualquer palavra, qualquer gesto é suficiente para a violência entre o casal e muitas vezes a violência é da mulher para o marido, apanhando as crianças no meio. Já viu o que é uma criança estar sempre a dizer “tenho fome”? Os políticos e as políticas é que são os causadores destas situações.

J.A-O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?
P.U.F.- Com as condições de vida actuais não há nada a perder, mais vale estar na prisão sem fome e com boas condições de higiene, cultura e até cuidados médicos, do que estar em liberdade sem nada.

J.A.-Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?
P.U.F.- Quem se vive num país desditoso que tem das pessoas mais ricas do mundo, quando todo o dinheiro dos contribuintes é sacado por políticos e empresários seus amigos, a solução é mudar de país.

J.A.-A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?
P.U.F.- Moralmente e humanamente sou pelo acolhimento. No dia em que houver um ataque terrorista sou pela expulsão de todos.

J.A.-Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?
P.U.F.- Temos um banco de ajudas técnicas, suprimos algumas das suas necessidades, com a compra de fraldas, com cabazes pelo Natal, pagamos alguns medicamentos, ajudamos instituições como lares, centros de dia e fazemos anualmente dezenas de excursões onde podem participar, umas vezes com uma contribuição mínima, mas na sua maioria gratuita.

J.A.-Qual o maior problema com que essa freguesia se debate?
P.U.F.- São muitos os problemas, mas o mais difícil de resolver é o da habitação. É a falta de habitação social ou de renda compatível com o rendimento do agregado familiar.

J.A.-Que outros problemas necessitam de maior intervenção?
P.U.F.- Seria melhor perguntar que outros problemas não necessitam de intervenção. Toda a gente anda à rasca.

J.A.-Que perspetivas tem para o futuro da freguesia?
P.U.F.- Que o Governo actual ou vindouro olhe para as freguesias como parceiros sérios e capazes de trabalhar e fazer uma boa aplicação dos dinheiros públicos e não ande constantemente a dar esmolas para distribuirmos migalhas. Se fosse possível e obrigatório até, as freguesias terem mais trabalhadores, acabariam depressa os desempregados, mesmo os com graduação académica e não fazer dum presidente de junta um jurista, um técnico oficial de contas, um engenheiro civil, um gestor, um chefe de pessoal. Um presidente de junta é um político e não um funcionário multifacetado.

J.A.-Como é a situação financeira da autarquia?
P.U.F.- Não devemos a ninguém, mas o cofre está sempre vazio.

J.A.-Qual o apoio que a câmara presta às juntas de freguesia?
P.U.F.- Apenas os Protocolos de Delegação de Competências. Paga apenas e abaixo custo os trabalhos que lhes prestamos. Não esqueçam que falamos da Câmara de Coimbra, que não fala com Presidentes de Junta. Estamos a 20 dias de terminarmos um mandato de 4 anos e nunca tivemos uma reunião com o eleito Presidente da Câmara Manuel Machado, que é também, ironicamente o Presidente dos Municípios de Portugal.

J.A.-Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?
P.U.F.- Para ser sincero, por favor tirem este Presidente de Câmara, troquem-no por outro Presidente nem que seja socialista.

J.A.-Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?
P.U.F.- Parte importante da minha família é também autarca. Desde o meu trisavô e do meu bisavô que servimos os outros nas freguesias.

J.A.-Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?
P.U.F.- Defender as autarquias é um serviço público de referência e a Vossa revista é o eco da nossa voz. Bem Hajam.

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