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JORNAL DAS AUTARQUIAS

Inscrito na E.R.C. sob o nº 125290

Setembro 2017 - Nº 119 - I Série - Cascais, Oeiras e Amadora

Cascais, Oeiras e Amadora

Fernando Afonso

Entrevista ao Presidente da Junta de Freguesia de Barcarena

Fernando Afonso

J.A.- Qual a sua opinião sobre a situação política atual?

P.J.- Não sendo eu um político de carreira, apenas direi que a situação política de hoje é muito complexa, esperando que a coligação que governa o País saiba encontrar o caminho para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

J.A.- Qual a sua opinião sobre o orçamento de Estado 2017?

P.J.- Parece-me um orçamento equilibrado, embora julgue que poderia ser feito mais no âmbito das despesas para um efetivo controlo do deficit. As Autarquias, com novas e maiores competências a partir de 2013, deveriam ter as devidas contrapartidas do Poder Central para poderem cumprir as metas que essas competências lhes impõem.

J.A.- O aumento de desemprego gerou muita pobreza e, estando essa freguesia inserida num dos distritos considerados de maior carência económica, como está essa autarquia a gerir esse problema?

P.J.- Como é do domínio público, o Concelho de Oeiras onde a Freguesia de Barcarena se insere, apresenta pouco mais de metade dos índices de desemprego da média nacional. Certamente que a crise, que começou a dar largas aos seus nefastos efeitos a partir de 2007, também provocou carências e diminuição do poder de compra das famílias desta Freguesia que, através dos seus sistemas de apoio social, com a sua Comissão Social de Freguesia e o Centro Social Paroquial à cabeça, têm encontrado formas de resolver e minimizar as dificuldades dos mais vulneráveis.

J.A.- O que pensa sobre a violência doméstica, que ultimamente tem aumentado drasticamente, no nosso país, e qual a causa / efeito?

P.J.- Desde há muito que sou da opinião que a violência doméstica não aumentou drasticamente como se tem dito. O que potencia os dados estatísticos é o facto de, hoje, as pessoas se sentirem mais seguras, quer pela confiança nas Forças de Segurança, quer por uma melhor expectativa no sistema judicial, e participarem os factos a actos que, antes, eram tabu na sociedade.

J.A.- O que pensa sobre a violência gratuita que se está a gerar na nossa sociedade?

P.J.- A perda de valores, todo o tipo de extremismos e o stress da luta desenfreada “por um lugar ao sol”, poderão ser algumas das causas dessa violência.

J.A.- Qual a vossa opinião sobre a emigração dos nossos jovens, principalmente os mais credenciados?

P.J.- Tenho duas visões para este problema. Sendo eu próprio um imigrante e de família de imigrantes, aceito, possivelmente melhor que muitos, os fluxos migratórios de busca de melhores oportunidades. Por outro lado, é triste assistirmos à “debandada” de um número considerável de jovens – quadros qualificados, tantos deles – nos quais o Estado tanto neles investiu e dos quais não tirará o retorno desse investimento em prol do desenvolvimento do país. O Estado e os nossos empreendedores deveriam unir esforços no sentido de criar condições de empregabilidade para estes jovens.

J.A.- A vinda de refugiados tem causado alguma celeuma. Que opinião tem sobre este tema?

P.J.- Portugal terá sido o país no mundo que conseguiu acolher e integrar cerca de um décimo da sua população, de um dia para o outro, entre os anos 74 e 75 do século passado. Assim, num espírito de solidariedade europeia, saberemos encontrar as melhores soluções para acolher aqueles que, fugidos das guerras e perseguições de que são vítimas, necessitam do apoio da Comunidade Ocidental. Há riscos e perigos de ,pelo meio, estarmos a dar guarita a eventuais terroristas mas temos de enfrentar esse risco com as medidas adequadas, sem prejudicar o nosso dever de acolhimento.

J.A.- Que apoio presta a autarquia aos mais idosos?

P.J.- As Instituições Particulares de Solidariedade Social, as Colectividades e a Comissão Social de Freguesia têm procurado encontrar os meios para apoiar os mais idosos e, em particular, os mais vulneráveis e carenciados, através de apoios de vária ordem. A nossa Câmara Municipal tem diversos programas que prestam esse apoio e nos quais as suas Uniões e Juntas de Freguesia são sempre chamadas a participar.

J.A.- Qual o maior problema com que a sua freguesia se debate?

P.J.- Neste momento, a falta de resposta aos cuidados mais elementares de saúde creio ser o nosso maior problema, e esta Freguesia, de há uns anos a esta parte, tem procurado colmatar alguma destas carências suportando os encargos com a manutenção de três Postos de Enfermagem em três das suas localidades. A breve inauguração da nova Unidade de Saúde Familiar colmatará esta lacuna.

J.A.- Que outros problemas necessitam de maior intervenção?

P.J.- A mobilidade, devido a uma deficiente cobertura pelos transportes públicos e dada a morfologia acidentada do nosso espaço geográfico, constitui-se como um dos grandes problemas que temos vindo a enfrentar. A dificuldade dos nossos jovens em se deslocarem para três dos Agrupamentos Escolares de Ensino Secundário – Carnaxide, Caxias e Miraflores – por falta de uma Escola deste nível na Freguesia, é outra das nossas maiores preocupações.

J.A.- Que perspectivas tem para o futuro da freguesia?

P.J.- Barcarena tem motivos para encarar o futuro com otimismo já que há projetos que contribuirão para o seu desenvolvimento sustentável, numa perspectiva integrada de um Município que já demonstrou ser capaz de criar, cativar, desenvolver e manter grandes investimentos.

J.A.- Como é a situação financeira da autarquia?

P.J.- A Freguesia tem uma situação financeira saudável, como se pode verificar no Relatório e Contas que anualmente é apresentado publicamente na sua Assembleia.

J.A.- Qual o apoio que a Câmara presta às juntas de freguesia?

P.J.- A Câmara Municipal de Oeiras negociou e celebrou com as suas cinco Uniões e Juntas de Freguesia, os Acordos de Execução e Contratos Interadministrativos, previstos na Lei 75/2013 de 12 de Setembro, tendo em conta as capacidades e possibilidades de uns e outros fornecerem os meios técnicos, humanos e financeiros, e aceitarem as responsabilidades inerentes a esses meios, em ordem a satisfazer as necessidades e anseios das respetivas Comunidades.

J.A.- Que mensagem quer enviar à população da sua freguesia?

P.J.- A mensagem não poderia ser outra que não seja de esperança. Alguma retração provocada pela grave crise económica generalizada parece ter dado os primeiros sinais de estar ultrapassada, e a dinâmica, o crer e o empenho dos Autarcas do Município e das Uniões e Juntas saberão, certamente, encontrar os caminhos conducentes ao relançamento de projectos e obras que façam jus ao lema: continuar a servir indo de encontro aos anseios de toda a população.

J.A.- Como consegue gerir a absorvente vida de autarca com a vida familiar?

P.J.- O desempenho de funções autárquicas para quem quiser levá-las até ao limite das suas capacidades e competências não é facilmente conciliável com a vida familiar. No entanto, quando a decisão de servir a Comunidade é tomada com o apoio da família, as absorventes tarefas decorrentes de uma actividade intensa de Presidente de Junta, tornaram-se mais suaves, restando a consolação do dever cumprido, pese embora alguma frustração provocada pela ingratidão de alguns.

J.A.- Que mensagem quer deixar ao Jornal das Autarquias?

P.J.- Ao Jornal das Autarquias desejo as maiores venturas, na esperança de que cumpra o seu dever de informar e de divulgar, quer a nobre missão e os sacrifícios por que passam quantos servem as suas Comunidades, quer as potencialidades e os encantos de cada Região deste maravilhoso País.

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